Associação Nacional de Técnicos de Nível Superior
das Instituições Federais de Ensino




O denominado Ato médico, que é um Projeto de Lei aprovado na Câmara dos Deputados no dia 21 de outubro de 2009, vem suscitando debate e polêmica no ambiente de saúde do país, principalmente de profissões da área, além da médica, que seriam afetadas com a aprovação e posta em prática desse dispositivo. Na lista de discussão tns-br, Marjorie, do Rio Grande do Norte, levantou a questão no dia 20 de novembro, sob o assunto "O ato médico derruba ética do SUS", quando justamente acontecia o I Fórum da Atens Nacional em Belo Horizonte. Foi secundada pelo Ronaldo, do Mato Grosso do Sul, que já tinha levantado o debate no blog da ATNS-MS. E o debate se aprofundou em nossa lista com outras intervenções, que são reproduzidas aqui para dar-lhes sistematização e acesso mais fácil a quem se interessa pela discussão em questão.


Discutindo o ato médico

Em discussão: PL do Ato Médico. Foi nos solicitado que desse publicidade ao movimento do CFP, e acreditamos merece atenção.
Adicionamos o link do PL nº 7703/06, para conhecimento de todos, afim de embasar as iniciativas necessárias, aprovando ou reprovando o Projeto de Lei que interessa a todos os cidadãos brasileiros.
Adicionamos ainda link para o Programa Brasil em Debate, da TV Câmara, do dia 24/04/2007 onde o Dep. Edinho Bez (PMDB-SC) e Dep. Gorete Pereira (PR-CE) comentam, com o jornalista Tarcísio Holanda a Audiência Pública que debateu o chamado "ato médico", objeto do Projeto de Lei nº 7.703/06, do Senado Federal, que estipula os procedimentos que só podem ser realizados por médicos.

CFP e entidades ligadas à saúde se mobilizam para manifestar contrariedade à aprovação do Projeto de Lei do Ato Médico

Solicito ainda que contribuições ao debate serão bem vindas.

Adm. Ronaldo São Romão Sanches
Presidente da ATNS-MS


Car@s colegas,
Reforçando o apelo de colegas já colocados nessa lista. Esta é uma questão que afeta muitos TNS, profissionais da área da saúde, que não pode ser esquecido, nem e, principalmente em momento de Fórum.

Sem entrar na seara das competências profissionais, o ATO MÉDICO é um projeto de lei que traz embutido o limite extremo do corporativismo em detrimento de uma parcela da população mais necessitada do país: milhões de usuários do SUS.

Creio que uma moção de repúdio ao PL saído do Fórum seria de bom tom.

Leiam o depoimento abaixo e o comentário do prof. Lúcio Flávio e reflitam.

Mas para demonstrar seu descontentamento com o PL n° 7.703/06 acessem o link abaixo e assinem a petição on line.

http://www.petitiononline.com/100108/petition.html

Marjorie Medeiros - UFRN

Ato médico: Saiba a posição dos pesquisadores do Lappis em 18-nov-2009

O PL n° 7.703/06, conhecido como Ato Médico, foi aprovado pela Câmara dos Deputados no último dia 21 de outubro. O substitutivo aprovado, de autoria do deputado Edinho Bez (PMDB-SC), define e regulamenta as atividades privativas dos médicos, mas não esclarece diversos pontos de conflito. O Projeto de Lei foi apresentado em 2001 no Senado, onde foi aprovado em 2005, sendo encaminhado para a Câmara. Como foi modificado na Câmara, agora retorna ao Senado e, caso seja aprovado, será enviado para análise do presidente da República, que pode vetá-lo ou sancioná-lo. O texto aprovado apresenta questões polêmicas. Mantém, por exemplo, que somente médicos podem exercer a direção e chefia de serviços médicos, mas não define o significado de "serviços médicos", o que pode afetar os diversos serviços de saúde realizados por equipes multiprofissionais.
O substitutivo dá aos médicos a exclusividade do diagnóstico e da prescrição dos tratamentos. Dessa forma, retira da população o direito ao livre acesso aos profissionais de saúde sem que tenham que passar obrigatoriamente por uma consulta médica. Para Madel Therezinha Luz, o Ato Médico implode a lógica da política do SUS, que trabalha com a ideia de equipe integrada, onde não existe uma verticalização de saberes na medicina.

Madel T. Luz: "O Ato Médico implode a ética do SUS"

Para a professora, atividades como acupuntura, arte terapia e medicina chinesa não são exercidas necessariamente por médicos, mas podem ter sua legitimidade. "Essa é uma questão séria. Não há mais uma hierarquia primordial nesse conceito. A lógica da saúde tende a ser secundária, se não eliminada. É uma hierarquia no sentido oposto de uma política integrada. O programa universalista do SUS tem um propósito que o ato médico implode". Madel também afirma que as práticas terapêuticas integrativas, muitas vezes, não possuem uma formação acadêmica consolidada. Uma reforma universitária na medicina seria necessária para agregar essas práticas. Caso contrário, viramos bibelôs de ouro em um casebre". Segundo, o papel dos sindicatos de todos os terapeutas é extremamente importante para a vitória sobre a não-implementação do projeto. "Nossa conquista democrática não pode ser perdida".

Lúcio Flávio Moreira (Prof da UFRN e médico)


Marjorie, boa tarde

Esse debate é de suma importância, pois vejo o PL do Ato Médico como algo extremamente corporativo e nocivo para a sociedade nos termos que está elaborado.
Deve ter passado na Câmara em virtude de um lobby poderoso e infelizmente pela falta de compromisso de grande número de parlamentares com o povo brasileiro e como sempre da apatia reinante.
Se não houver mobilização dos setores esclarecidos deve ser ratificado no Senado.

Peço pois, se possível que insira essa sua mensagem no blog da ATNS-MS.

Um abraço
Ronaldo
ATNS-MS


Prezado Ronaldo,
A regulamentação de qualquer profissão não passa por submetê-la a qualquer outra profissão. As profissões já regulamentadas assim o fizeram sem consultar ninguém, e assim entendo como normal por que se trata de algo que diz respeito, exclusivamente, à determinada categoria. Não me parece racional, lógico ou razoável, o médico perguntar ao farmacêutico, ao fonoaudiólogo, ao enfermeiro e demais categorias o que eles acham desse ou daquele tema. Considero impertinente, inadequado, carente de propósito, qualquer interferência na deliberação dos médicos acerca de sua regulamentação. Posso afirmar que a ética do SUS, se é que ela existe, vilipendiou a categoria ao longo de sua existência. Como administrador você poderia perguntar porque a industria não pratica uma tabela SUS. Porque o médico deve se submeter a um ganho vergonhoso enquanto a indústria e o comercio se locupletam à custa de vendas superfaturadas ao governo. Isso sim fere a ética humana. Nunca vi nenhum de vocês tecerem comentários a esse respeito. Quando a categoria entende que basta de tal infâmia vem os demais profissionais da saúde, que nunca se manifestaram em desfavor do tratamento que nós médicos recebemos do governo e das condições infames sob as quais trabalhamos, tecer comentários desairosos e carentes de quaisquer embasamento do que seja a atividade médica. Nesse momento, a suposta ética do SUS é levantada, convenientemente, para colocar o médico, mais uma vez, como o vilão responsável pelo desastre do SUS que nada mais é do que a resultante da vergonhosa, dilapidadora, e incompetente administração da coisa pública que, diga-se de passagem, não é praticada por médicos na sua grande maioria.
Não tenho nenhum interesse em participar de tal arremedo de sindicato, e farei recomendações nesse sentido aos demais médicos TA.
Obrigado.
Carlos Geraldo Sobral de Medeiros


Prezado Carlos

Creio que você tenha razão, eu devo estar equivocado e peço desculpas por colocar um assunto tão impertinente e inadequado em nossa lista, apesar de ser a pedido de um profissional da saúde não médico, mas aí ponderando e analisando o PL, vi que tinha razão na preocupação, apesar de, como já disse ter um profundo respeito pela classe médica.
Achava que era um tema que merecesse um debate, pois via alguns excessos no dispositivo legal, mas vi que não tem interesse de praticamente ninguém em discuti-lo nesta lista, portanto vou saindo de fininho.
Realmente os médicos ganham muito abaixo do que merecem e como a medicina, como você afirma, não é uma profissão regulamentada (será então que qualquer um pode praticá-la?) devem estar precisando da aprovação do PL, já que estão desprotegidos.
Realmente não tinha pensado por esse ângulo, me penitencio.
Eu já devia ter aprendido, mas infelizmente sou cabeça dura e continuo metendo os pés pelas mãos, talvez você me indique um profissional da saúde (será que é um médico???, já nem sei ) que possa me ajudar a levar a vida sem me preocupar com aquilo que me rodeia.

Na realidade o ser humano é um bicho esquisito, e não me leve a mal, não estou falando dos médicos, no fim, o que vemos é cada um atendo-se somente aquilo que lhe interessa diretamente. Somos muito egoístas ainda. (isso é uma afirmação para o homem em geral).

Um planeta melhor, uma humanidade mais feliz, soa pra mim agora escrevendo, algo como num futuro muito distante, tão distante.

Mas de uma coisa tenho certeza prezado Carlos, no limiar de uma nova era para a humanidade, somente o diálogo e a busca de consenso prevalecerão.

Um grande abraço
Ronaldo


Prezado Sr. Ronaldo:
Da mesma forma que questiono o valor representativo do SISTA-UFMS quanto aos interesses dos funcionários TA de nível superior de nossa universidade, nos quais me incluo, vejo nas observações um tanto quanto xenófobas, suas e da Srª Marjorie, sinais de que a ATNS-MS também não as vá representar. Senão vejamos.
1º) A ATNS se propõe dar corpo e voz aos funcionários TA da UFMS cuja participação, no SISTA, é sistematicamente solapada pelos funcionários de nível médio;
2º) Em se tratando de direitos trabalhistas e corporativistas, os funcionários de nível médio devem ter sua entidade classista e, nela, dar corpo e voz às suas reivindicações, que não são, à rigor, as nossas. Assim, o SISTA deve ser, para tais profissionais, tal entidade, cabendo a nós organizadamente, construir a nossa;
3º) Os funcionários TA, por outro lado, perfazem um grupo muito heterogêneo de profissionais com interesses os mais diversos. Aqui, me parece, que o ponto-de-vista de cada profissão deve ser acatado. Os objetivos do pretenso sindicato de servidores de nível superior das universidades não deve extrapolar os limites de suas atribuições. Lembro-me, quando da participação de uma das reuniões realizadas no NHU-UFMS, que questionei a intenção de dividir o pretenso sindicato em pequenos sindicatos nos quais o pessoal da saúde estaria separado daqueles de outras áreas de atuação na universidade. É o começo do fim. Para mim foi um sinal de que tal unidade representativa não seria tão unida quanto quer parecer ser;
4º) Ora, o pretenso sindicato de servidores TA deve-se ater aos objetivos comuns de nós servidores, enquanto trabalhadores das IES. Se sou médico, enfermeiro, nutricionista, administrador, fisioterapeuta, ou qualquer outro profissional de nível superior, devo, ou não, compor um sindicato que me represente, dentro dos meus interesses enquanto servidor TA da UFMS, e não querer, mediante comentários como o aqui apresentado, interferir nos interesses de um grupo de profissionais, médicos no caso em questão, que, embora seja a profissão da saúde mais antiga, é a única não regulamentada, como o são todas as demais;
5º) Me parece uma interferência no mínimo impertinente, mas que serve para esclarecer, ou melhor, confirmar o que já intuía ser, de fato, o pretenso sindicato de servidores de NS: um SISTA modificado, onde o ranço de alguns profissionais em relação a outros se cristaliza na suposta e aparentemente bem intencionada cruzada em favor dos menores e menos aquinhoados. Não vi até o presente momento, eu que labuto diariamente dentro do SUS, não vi, repito, nenhuma manifestação dos senhores em favor de tais desfavorecidos. Agora, na iminência da regulamentação de uma antiga profissão, e citando o SUS, que muitos dos senhores não conhecem nem têm contato, fazem reparos impróprios e que denigrem a imagem desses profissionais;
Agradecendo o convite a mim feito para participar da associação, embrião de um futuro sindicato de servidores TA-UFMS, informo a V.S. que, diante de tão esclarecedor comentário feito sobre a regulamentação de uma das profissões que comporá, eu creio, tal pretenso sindicato, não tenho interesse em participar de tal instituto.
Obrigado.
CARLOS GERALDO SOBRAL DE MEDEIROS -
Servidor TA-UFMS


Prezado Carlos
Em primeiro lugar, tenho profundo respeito pelo profissional Médico.
Minha posição contrária à aprovação do Ato Médico é com relação aos pontos polêmicos do Projeto de Lei, aos poderes conferidos ao Conselho Federal de Medicina para editar normas, que possam complicar as atividades de outros profissionais da área da saúde, creio que esses conflitos devam ser resolvidos.
As outras profissões ligadas a saúde são unânimes em considerar o Projeto prejudicial ao exercício profissional do psicólogo, do nutricionista, do fisioterapeuta, do fonoaudólogo, do farmacêutico, do profissional de educação física e muitas outras.
Eu particularmente como Administrador, coloco em dúvida a legitimidade do disposto no Inciso II, do Art. 5°, com relação a Auditoria.
Sou a favor da regulamentação da profissão, mas no meu entender deve ser melhor discutido estes pontos que considero essenciais.
Estamos abertos ao debate, que acho importante para esclarecer a opinião pública.
Volto a repetir não sou contra a regulamentação, mas com estes pontos esclarecidos.

Creio que para colaborar com esse debate a respeito do Ato Médico, a ATNS poderia agendar uma reunião, ou o Senhor acha que é um tema já fechado, que não pode ser discutido?

Adm. Ronaldo São Romão Sanches


Ronaldo, eu não vi essa intervenção do Carlos em nossa lista, talvez problemas aqui com meu computador, seus programas e configurações. Mas li a partir de sua intervenção.
Acho que ele tem todo direito de levantar as questões que levanta, apontando para uma discussão válida entre nós. Gostaria de convidá-lo a que não avalie toda a nossa luta e a trajetória que pretendemos seguir, por essa ou aquela posição de um de nós, que não generalizasse nesse sentido. Seria bom mesmo contar com suas intervenções. Realmente não podemos seguir o caminho de ficar cada profissão tendo um olhar específico sobre si mesma, esquecendo-se das outras que também fazem parte de nosso movimento e nossa entidade. O tema ato médico tem sido polêmico e a polêmica está levantada, não se pode é no calor desse debate tirar conclusões inclusive sobre trajetória de nossa entidade, tanto a Nacional quanto as locais.
Queremos contar com todos nessa construção, principalmente os médicos,com a força que representam em nosso meio. Que o Carlos nos ajude nessa construção, com a veemência e o poder de análise que demonstra.

Elson Rezende de Mello
Atens Nacional - Presidente


Prezado Elson, não poderia, como médico, me furtar em responder à mensagem dada como resposta ao Sr. Ronaldo. É notória a ênfase dada à profissão, nos meios de comunicação. Seja para seu vilipêndio, na grande maioria das vezes, seja para cobrir claros na falta de notícias crônica de nossa televisão/jornais/rádios, em geral atrelados aos governos, sejam eles verdes, amarelos, azuis, pretos ou vermelhos. Não há a necessidade de tal ênfase, dada pela ainda não emergente ATNS, em cima de uma categoria de profissionais que já vive no limite da criminalidade - se é que os senhores de fato conhecem as condições nas quais nós, profissionais médicos, trabalhamos junto ao SUS - e da incúria. Tal intervenção seria procedente se a nós fossem dadas outras intervenções que nos apoiassem na busca por melhores condições de trabalho e recebimento. É mister supor que R$4,50 reais por um consulta/SUS é, à título de exemplo, no mínimo risível, quando a responsabilidade que de nós é cobrada extrapola qualquer valor razoável, bastando observar a cobrança por suposto erro médico, taxado nos milhões de reais. Se eu acerto, recebo R$4,50 reais; se erro, e é pressuposto humano o erro, devo pagar milhões de reais. Sem contar o despautpautério observado quando a indústria e o comércio não praticam uma tabela SUS, como nós médicos somos obrigados a praticar. Nenhum outro profissional, para ser mais exato, dentro da carga de cobrança e responsabilidade civil e penal, que nos é imposta. Querem dar pitaco na regulamentação da profissão médica? Tenham também, por outro lado, um programa regular de intervenção junto às instâncias de responsabilidade gerencial para delas cobrar melhores condições de trabalho e remuneração para os profissionais de saúde, no contexto de nossa discussão, os médicos. Querem se banquetear com o bom pedaço, estejam dispostos a roerem os osso, também, como, de resto, o fazemos. Ah! E não me venha com a história do profissional mercantilista, mercenário, egoísta e salafrário, pois em todas as categorias os temos de balde. Não seríamos nós, os médicos, que deles teríamos falta. Assim, num pretenso sindicato que congrega tantas categorias profissionais com o único conjunto intersecção SEREM SERVIDORES DE NÍVEL SUPERIOR DE UMA INSTITUIÇÃO DE ENSINO SUPERIOR, me parece obtuso ficar cutucando o cão com vara curta, quando não é atribuição de tal pretenso sindicato, NEM cutucar o cão, NEM ao menos fazê-lo com uma vara curta.
Não precisamos fazer parte de algo que nos agride quando agressão já as temos aos montes.

Obrigado pela oportunidade.

Carlos Geraldo - servidor público federal, como todos os senhores.


Prezado Carlos

Creio que você tenha razão, eu devo estar equivocado e peço desculpas por colocar um assunto tão impertinente e inadequado em nossa lista, apesar de ser a pedido de um profissional da saúde não médico, mas aí ponderando e analisando o PL, vi que tinha razão na preocupação, apesar de, como já disse ter um profundo respeito pela classe médica.
Achava que era um tema que merecesse um debate, pois via alguns excessos no dispositivo legal, mas vi que não tem interesse de praticamente ninguém em discuti-lo nesta lista, portanto vou saindo de fininho.
Realmente os médicos ganham muito abaixo do que merecem e como a medicina, como você afirma, não é uma profissão regulamentada (será então que qualquer um pode praticá-la?) devem estar precisando da aprovação do PL, já que estão desprotegidos.
Realmente não tinha pensado por esse ângulo, me penitencio.
Eu já devia ter aprendido, mas infelizmente sou cabeça dura e continuo metendo os pés pelas mãos, talvez você me indique um profissional da saúde (será que é um médico???, já nem sei ) que possa me ajudar a levar a vida sem me preocupar com aquilo que me rodeia.

Na realidade o ser humano é um bicho esquisito, e não me leve a mal, não estou falando dos médicos, no fim, o que vemos é cada um atendo-se somente aquilo que lhe interessa diretamente. Somos muito egoístas ainda. (isso é uma afirmação para o homem em geral).

Um planeta melhor, uma humanidade mais feliz, soa pra mim agora escrevendo, algo como num futuro muito distante, tão distante.

Mas de uma coisa tenho certeza prezado Carlos, no limiar de uma nova era para a humanidade, somente o diálogo e a busca de consenso prevalecerão.

Um grande abraço
Ronaldo


Prezado Ronaldo,
A regulamentação de qualquer profissão não passa por submetê-la a qualquer outra profissão. As profissões já regulamentadas assim o fizeram sem consultar ninguém, e assim entendo como normal por que se trata de algo que diz respeito, exclusivamente, à determinada categoria. Não me parece racional, lógico ou razoável, o médico perguntar ao farmacêutico, ao fonoaudiólogo, ao enfermeiro e demais categorias o que eles acham desse ou daquele tema. Considero impertinente, inadequado, carente de propósito, qualquer interferência na deliberação dos médicos acerca de sua regulamentação. Posso afirmar que a ética do SUS, se é que ela existe, vilipendiou a categoria ao longo de sua existência. Como administrador você poderia perguntar porque a industria não pratica uma tabela SUS. Porque o médico deve se submeter a um ganho vergonhoso enquanto a indústria e o comercio se locupletam à custa de vendas superfaturadas ao governo. Isso sim fere a ética humana. Nunca vi nenhum de vocês tecerem comentários a esse respeito. Quando a categoria entende que basta de tal infâmia vem os demais profissionais da saúde, que nunca se manifestaram em desfavor do tratamento que nós médicos recebemos do governo e das condições infames sob as quais trabalhamos, tecer comentários desairosos e carentes de quaisquer embasamento do que seja a atividade médica. Nesse momento, a suposta ética do SUS é levantada, convenientemente, para colocar o médico, mais uma vez, como o vilão responsável pelo desastre do SUS que nada mais é do que a resultante da vergonhosa, dilapidadora, e incompetente administração da coisa pública que, diga-se de passagem, não é praticada por médicos na sua grande maioria.
Não tenho nenhum interesse em participar de tal arremedo de sindicato, e farei recomendações nesse sentido aos demais médicos TA.

Obrigado.
Carlos Geraldo Sobral de Medeiros


Caro Carlos,
Não sou profissional da área da saúde, sou engenheira civil e arquiteta.
Reconheço que todas as profissões devam ser regulamentadas.

A discussão que se coloca sobre o ato médico não é uma discussão pela regulamentação(extremamente válida) ou não da profissão, mas sobre a parte que atenta contra a autonomia profissional (dos outros), que atenta contra a ética do SUS, que conclama a um corporativismo já muito presente (que não é exclusividade da classe médica),e que, principalmente, este é o ponto máximo da discussão, não atenta para o impacto que isto traz aos usuários do SUS.

E como disse, sou engenheira e arquiteta e trabalho, há mais de 20 anos, com as comunidades mais carentes de Natal e do Rio Grande do Norte, todos usuários do SUS. E foi pensando nesses milhares de usuários com quem trabalho e trabalhei que assumi a campanha contra o Ato Médico.
Não de forma inconsequente e impensada.

As ATENS Nacional e Locais não trabalham na lógica Sindical, mas com liberdade democrática para que tudo que diz respeito aos TNS possa ser debatido e discutido na coletividade(Lembrando que esta é uma construção coletiva).
Afinal, o Ato Médico tem a ver ou não com os TNS profissionais da área de saúde das IFE. Ou vai ser aplicado só ao mercado?

Assinar a petição ou não, é uma escolha pessoal, onde cada um exercita o livre arbítrio.

Ah! E quanto a ética do SUS que você diz não existir, a discussão, aí sim , seria muito longa e não diz respeito a esta lista.

Marjorie Medeirtos
Eng. Civil/Arquiteta e Urbanista - UFRN


Acredito que, para uma melhor isonomia, e creio não haver termo que defina melhor nossas diferenças, a engenharia e arquitetura devesse também ser obrigada a trabalhar para o SUS, nas mesmas condições que os médicos, ou seja, condições de indigência. Ficar exercitando um proselitismo sem militar, palavra que espero caia de moda em breve, no contexto, é fútil, inútil, indecente, incoerente, dispensável e vazio. O corporativismo, minha cara engenheira não militante do SUS, em geral, só é visto com relação às demais profissões. Nesse sentido, parece que, no contexto dessa discussão estéril, somente os médicos o são. Não o são os engenheiro e arquitetos, por exemplo. Assim, desejo sucesso nesse empreitada que antevejo capenga, posto deixar de lado os interesses dos servidores públicos federais das IES, para ficar dando palpites infelizes (parodiando o poeta) na seara alheia.

Obrigado.
Carlos Geraldo Sobral de Medeiros


Prezado Carlos

Na realidade você sabe que não é seara alheia e nem discussão estéril.
Creio que a partir do momento que o PL cita nominalmente outras 13 profissões da área da saúde, estas tem o direito de espernear, de tentar um consenso, afinal está em jogo a sua atuação profissional. Você faria o mesmo se fosse biomédico, psicólogo, fisioterapeuta, etc.
Eu mesmo citei a questão de Auditoria de contas.
Da mesma maneira que sou contra um Conselho Universitário que é composto por 70% de docentes, onde existem casos de projetos cujo autor aprova o projeto, executa e aprova as suas próprias contas. Quem perde com isso?
Pois bem, essa é uma das razões que sou a favor da paridade nas eleições para os cargos de direção e em outros critérios para composição dos Conselhos Superiores das universidades, pois trará mais transparência e confiabilidade nas instituições. Veja o que está acontecendo com a maioria das fundações das universidades, numa relação de baixa transparência. Quem perde com isso?
Da mesma forma que é improdutivo para a instituição e para a sociedade essa relação conflituosa entre Docentes e Técnicos NS. O que fazer? Deixar de discutir uma solução por configurar-se difícil o diálogo?
Não vejo com bons olhos uma Instituição, um Plano de Saúde, ou o próprio SUS, onde somente o profissional Médico pode auditar outro Médico. É muito complexo o assunto e quem perde com isso é a sociedade em geral.
E não é porque estou dizendo isso que sou contra o profissional médico. Muito pelo contrário, admiro. Sei que é um profissional que se preparou para exercer uma nobre missão, que é o profissional habilitado para atender procedimentos que não podem ser executados por outros, mas tem profissionais não médicos, habilitados na área da saúde que também se prepararam, e no meu entender deve haver uma harmonia nessa relação.
Tenho consciência que a Educação e a Saúde, deveriam ter prioridade em qualquer governo, seja federal, estadual e municipal, contando em seus quadros com profissionais técnicos valorizados, para que possam trabalhar e viver dignamente.

Também sei que muitas vezes usamos alguns termos que nos soam como agressões, mas podemos evitar, para mantermos um diálogo saudável e em bom nível.

Abraço
Ronaldo


Pelo que tem me chegado e pelo que está no projeto há um grave equívoco no tocante às atribuições do médico; hoje mais do que nunca sabemos que a ciência evoluiu bastante a ponto de haver a necessidade de especialidades que não são cobertas na sua totalidade nos cursos de medicina, por mais que se possam aumentar o tempo para a formação destes profissionais; isto é um fato. Além do mais a ciência não regride, não retroage, ao contrário toma novos contornos e delimitações.

Na realidade, o que acontece com a medicina hoje já aconteceu no passado com a Engenharia, quando o Engenheiro era o Engenheiro Politécnico, cujas atribuições iam deste as, hoje, definidas para a Engenharia Civil, até áreas como mecânica, eletrotécnica, naval, etc.

Atualmente, cada área é responsabilidade de profissionais que se formaram com este fim específico, desenvolvidas e trabalhadas pelos engenheiros mecânico, eletricista/eletrotécnico, naval, etc..Embora o eng. civil tenha uma formação mais generalista para compreender os mecanismos das outras engenharias, aqueles é que são os responsáveis pelas área nas quais os eng. civis não receberam formação integral.

O mesmo acontece com a medicina; embora o médico tenha uma formação geral, ele não "domina" áreas como nutrição, fisioterapia, psicologia, farmácia, etc. entre muitas outras. Se ele é capaz de formar um diagnóstico que esteja dentro destas áreas, com maior autoridade tem o profissional que as estudou com exclusividade.

Um quadro de desnutrição, por exemplo, pode ser detectado não apenas pelo médico, mas também pelo enfermeiro e com muito mais certeza e riqueza de informações pelo nutricionista, este sim o profissional habilitado e que conhece com profundidade o caso e, portanto, com toda a autoridade para formar um diagnóstico e muito mais que isto prescrever um tratamento completo e adequado a cada tipo de paciente.

Tenho observado dignóstico e prescrição feitos por ortopedistas para tratamento fisioterápicos que não tem resultados e que não recuperam o paciente no tempo hábil, simplesmente porque a prescrição estava errada, ela havia sido feita de maneira superficial pelo médico; se em vez de fazer a prescrição, o médico tivesse encaminhado o paciente diretamente ao fisioterapeuta, os resultados certamente seriam outros, pois este profissional é o especialista no caso.

Temos também observado casos em hospitais públicos de prescrições de dietas em certos tipos de pacientes que o conduziram à morte, simplesmente por que foram neglicenciados aspectos específicos do perfil do paciente e que fora detectado posteriormente por uma equipe multidisciplinar com a presença decisiva do nutricionista.

Evidentemente que existem tratamentos específicos dos médicos, tais como cirurgias, mas até mesmo na área da cirurgia existe o caso das bucomaxilofaciais que são realizadas por dentistas com esta especialidade.

O ato médico na forma como atualmente se encontra é um retrocesso, considerando os enormes progressos científicos que estamos experimentando.

Para que o médico seja responsável por todo e qualquer tratamento seria necessário que o mesmo tivesse uma formação que englobasse todas as demais profissões da saúde; e isto é impossível. O tempo seria tão longo que no meio do percusso já haviam se perdido boa parte dos conteúdos iniciais.

Sob este ângulo isto é, no mínimo, descabido, irracional e vai contra todos os princípios éticos, pois "invade" competências de outros profissionais, além de comprometer totalmente o bem mais precioso do ser humano, que é a saúde.

Parafraseando aquela música: "é preciso ter cada um no seu quadrado"

A Natureza é multidisciplinar, como multidisciplinar é a natureza humana.

J. Aguiar - Gerente de Redes - CCET/UFRN


Aguiar,
Concordo em número, gênero e grau!

Temos um bom exemplo dessa intersetorialidade e interdisciplinaridade nas equipes do PSF, que são multiprofissionais e, por isso mesmo, tem obtido excelentes resultados em todos os locais em que atuam.

Também não podemos esquecer que, os cursos de medicina, com raríssimas excessões, não preparam o profissional para trabalhar com pessoas, mas apenas para curar doenças.

Os alunos passam 6 anos em salas de aulas, clínicas e hospitais, mas não visitam uma única vez as favelas e periferias de suas cidades!

Entretanto, os alunos dos cursos de enfermagem, em sua maioria, tem durante todo curso esse contato tão rico e importante. E porque não falar do biomédico, do assistente social? Orteses e próteses não seriam possíveis, em sua maioria, sem o auxílio de profissionais da engenharia, física...E aí?

AH!Falar em interdisciplinaridade e multisetorialidade custa muito para alguns!

Marjorie


Parabéns Aguiar!
A analogia com as Engenharias é perfeita. Para que os médicos tivessem a perfeita compreensão de todo o universo das profissões que o ato médico entende que são prerrogativas da sua formação, eles teriam que ficar nos bancos escolares no mínimo 12 anos e mesmo assim teriam apenas uma formação superficial. Ora, mesmo com esta formação eles iriam dedicar-se apenas a uma área do seu conhecimento, portanto, grande se não a maior parte de sua formação seria pura perda de tempo, pois seria apenas acessória para a sua prática profissional.
O aprofundamento já se dá em vários segmentos que são os cursos específicos de Formação Superior, que habilitam de forma completa profissionais das diversas áreas, que em trabalho em equipes multidisciplinares nas quais os médicos participam atemdem os pacientes de forma mais completa.
Acho que este famigerado ato é tão somente uma RESERVA DE MERCADO, e por isto mesmo execrável em sua fundamentação de origem, e portanto completamente condenável em sua implementação.
Abraço,

Nelson Rosa
PS. Não sou da área médica.


Caro Aguiar e Nelson Rosa

Achei perfeito o raciocínio dos dois, pois sou nutricionista e concordo com tudo que foi colocado.

Nazaré
NUTRICIONISTA-HUOL/UFRN
ATENS-RN


Nelson
Regulamentar uma profissão requer cuidados e bom senso.
O problema é complexo. Veja que os jornalistas não estão conseguindo fazer valer seus diplomas.
Corporativismo tem em todas as profissões e em todos os níveis sociais.
Veja o corporativismo dos docentes, veja o dos engenheiros e arquitetos, dos Contadores, dos Advogados. Veja o dos parlamentares. O de religiosos.
Cada um quer puxar a sardinha pro seu lado.
O problema é que o Ato Médico cita nominalmente o que outras profissões ligadas a Saúde podem ou não fazer.
Um dos pontos críticos do PL, no meu entender, entre alguns outros que citei anteriormente é o Conselho Federal poder editar normas que certamente vão encurralar os demais profissionais da área.
Sou favorável a que os Médicos tenham a sua regulação profissional atualizada, mas da maneira como está redigido tenho minhas dúvidas.
Com relação a este PL, creio que haverá uma mudança do teor de alguns artigos e entendimento entre os demais Conselhos.
Outra questão é que alguns Conselhos são fortes, fazem valer seus dispositivos legais, outros não conseguem quase nada.

Adm. Ronaldo São Romão Sanches
ATNS-MS


Elson

Os TNS das IFE se juntam num grande caldeirão, que está frio, sem tempero, devido a estarmos inseridos numa carreira que nos desanima a todos, seja médico, administrador, contador, jornalista, engenheiro, enfermeiro, etc. Nas IFE temos os docentes de um lado com seu corporativismo e do outro lado servidores NM e NA que são joguetes de lideranças sindicais sem visão nenhuma sobre o que pode representar uma carreira bem delineada e valorizada.
Quando a grande massa de mais de 30.000 servidores com as mais diversas formações irá acordar?
Quando vamos ser respeitados nas IFE pelo que realizamos ou podemos realizar pelo ensino?
O que vemos nas diversas instituições são profissionais trabalhando em disfunção, descontentes e desmotivados, pois não existem perspectivas e nem ambiente favorável até mesmo para discutir os papeis de cada um deles dentro da instituição.
Aprofundar essas questões é necessário. Sei que é um tema espinhoso, mas necessário.
Estou tentando organizar a discussão no blog da ATNS-MS, mas acho importante figurar no sítio da Nacional, já que nossa "carreira" abriga um grande leque de profissionais.
Essa discussão é nossa.
Podemos e devemos nos posicionar, interagir com os Conselhos profissionais, com as associações de profissionais "desaconselhados".

Um abraço
Ronaldo
Endereço: Edifício Arthur Bernardes, Sala 018-Subsolo - Av. Peter Henry Rolfs, s/n, Campus Universitário
Cep: 36570.000 - Viçosa - MG - Fone: (31) 3899-2279 E-mail: atensnacional@atensnacional.org.br
Com a Atens Nacional os TNS se afirmam como sujeitos de sua história