Associação Nacional de Técnicos de Nível Superior
das Instituições Federais de Ensino
No dia 16 de março de 2010, Antônio Jésus, da UFV, postou um
artigo sobre cotas raciais na lista tns-br, sob a epígrafe "A quem se
interessar - De volta as cotas". No artigo, "Desvendar o mito por
trás da polêmica das cotas raciais", a jornalista Luciana
Araújo se referia à audiência pública aberta pelo
Supremo Tribunal Federal para discutir o tema das cotas raciais, para dar
embasamento ao julgamento de ação impetrada pelo DEM contra a
Universidade de Brasília. A autora teve uma posição
crítica a intervenções contrárias às cotas de
políticos e advogados ligados ao DEM. O artigo era favorável
às cotas, e terminava com a seguinte afirmação : "As
cotas não são uma benesse do Estado aos negros e indígenas,
mas o início do pagamento de uma dívida que já dura 510
anos."
Só com a postagem do artigo na lista se abriu uma grande discussão, a
partir da intervenção do Alexandre Gava, da UFSC, quem achou que o
tema estivesse fora do propósito da lista e a posição da
jornalista era questionável. Foi o quanto bastou para o debate pegar, de uma
maneira interessante.
E a troca de ideias, observações e posições na lista
ainda teve outro desdobramento. A Simone Santos, bibliotecária da UFMG, quis
entrar em contato com o Luiz Alberto Schmitz que tinha se referido ao caso de sua
filha que, deficiente auditiva, havia passado no vestibular da UFSM pelo processo
de cotas. É que a Simone atua também na área dessa
deficiência e queria convidar o Luiz para dar um depoimento para o blog que
tem a Comunidade Mais, Movimento de Apoio à Inclusão do Surdo na
Universidade.
Reproduzimos aqui as intervenções sobre o tema que nos dias seguintes
alimentaram o debate.
Discutindo cotas para ingresso na universidade
Sinceramente, Antônio Jésus, além de fora do propósito
da nossa lista, a posição da jornalista é
questionável...
Abraço,
Alexandre G. Menezes
Analista TI
NPD/UFSC
Alexandre,
Então esse assunto é pra ser resolvido por docentes?
Esse assunto perambula nos Conselhos Superiores das IFE.
Nós não devemos pensar e debater sobre o assunto que afeta a forma de
concurso para ingresso nas instituições em que trabalhamos? Esse
é um dos motivos de estarmos sem identidade.
Qual o nosso papel dentro das instituições?
Devemos continuar deixando as IFE para que os docentes se apossem delas, como fazem
há longos anos, principalmente após a Lei daquele idiota do Paulo
Renato, sancionada pelo FHC, trazendo considerável prejuízo para a
sociedade brasileira? Veja o que são as fundações de pesquisa
no Brasil todo. Além disso, no Brasil todo, docentes preenchem cargos
técnicos ao invés de irem pras salas de aula ou pesquisa. Por isso,
estamos sem identidade.
Por isso a necessidade de paridade nos conselhos superiores e
eleições para dirigentes, onde deveríamos ser elegíveis
também. Daí a nossa falta de identidade, sobre o que podemos fazer
numa instituição de ensino.
Como a sociedade pode fiscalizar as ações dentro de uma universidade?
Tem tudo a ver com a composição dos conselhos superiores. Como
são utilizados os recursos, que são públicos, se as
universidades funcionam como uma reserva de mercado para docentes, que apresentam e
aprovam seus projetos, executam e eles mesmos aprovam suas prestações
de conta? Aí vão dizer: "mas tem o TCU". hahahahhah.
Mas, deixando esse assunto, que é "meio polêmico", mas a meu
ver muito claro, devo dizer que me posiciono contra as cotas raciais. Sou a favor
de cotas sociais, num percentual alto (tipo de 75%). Deixe os 25% para quem tem
condições de pagar bons colégios e queira frequentar uma boa
universidade.
Agora imaginem o número de vagas disponíveis e a estrutura que
deverá ser implantada para avaliar a condição social do
requerente? Ou isso será feito sem muitos cuidados?
Mas isso é outro assunto, também necessário ser discutido.
Aí minha sugestão, de criarmos nas Associações grupos
de discussão profissionais de TNS. O assunto sobre cotas poderia ser motivo
de discussão dentro desses grupos, que poderiam ser multidisciplinares
também.
Na verdade, eu nem ia escrever mais nada, mas...
Ronaldo
ATNS-MS
Prezado Alexandre,
Vc poderia me explicar qual o propósito das listas???? Se cotas nas
instituições de ensino estão fora do propósito das
listas, peço desculpas, mas entendo que não, afinal vejo tantas
coisas que em nada nos tocam por aqui.
Mas parece que outras pessoas entenderam que sim, daí me dou por
satisfeito.
Antônio Jésus
Ronaldo,
compatilho contigo sobre a identidade dos TNS. Em momento algum me posicionei em
contrário. O que mandei no email anterior é que já basta toda
a conversa fora do
foco da carreira e da identidade TNS. Agora surge mais um assunto, a meu ver fora
do propósito da nossa lista TNS-BR, com base num artigo de uma jornalista
com um ranço enorme e estimula a perda de foco em relação a
cotas.
Tanto é que nem estou respondendo para a lista, somente pra ti.
Um abraço e continue com suas intervenções na lista que
são sempre proveitosas.
Alexandre
NPD/UFSC
Antônio Jésus,
Já tentei me explicar com o Ronaldo (MS) num email que julgava ter enviado
somente para ele.
Acho perda de foco neste momento estimular a discussão sobre cotas, visto
que é uma matéria bastante delicada. Ainda mais com um artigo que se
posiciona apenas de um lado, ao invés de apresentar os prós e
contras, numa análise equilibrada.
Prefiro, seguindo a linha dos últimos emails trocados, que foquemos nossas
atenções em estratégias de carreira e antes disso, ainda, em
definir uma identidade para os TNS.
Desculpe se fui mal interpretado, mas é que estou um pouco cansado de ver
nossas discussões caindo em temas que não deveriam ser discutidos
neste momento de organização (e eleição!).
Um abraço,
Alexandre
Caros,
A minha filha (deficiente auditiva) entrou na UFSM pelo sistema de cotas.
Apesar de ser justo e claro, para mim, o sistema, no caso dela, deparei-me com um
professor paulista lá em Santa Maria contra as cotas para deficientes. Ele
era a favor somente das cotas raciais.
Tivemos um grande debate que quase virou embate, dado o trogloditismo da
figura.
Mas graças à sensatez da administração da UFSM, o
sistema foi implantado, de maneira muito correta e com sucesso.
Aqui na UFSC, os deficientes não têm vez no vestibular,
infelizmente.
Coloquei o exemplo pra demonstrar que sempre há os contra e os a favor.
Aliás, fui muito longe. Não sei se é ou não é
assunto pra lista.
abs,
Luiz
Em primeiro lugar meu caro amigo Luiz, os parabéns pela conquista da sua
filha, e para a UFSM; segundo, que no meu entender o assunto é pertinente.
Se fosse uma lista que permitisse maiores configurações, como no caso
de ser abrigada no Google Grupos, os assuntos seriam divididos, e as pessoas
poderiam acessar as discussões que lhes conviessem. Aliás, isso pode
ser futuramente configurado na página da ATENS Nacional.
Mas esse professor de São Paulo, é de universidade
pública?
Por isso a necessidade do debate aberto e democrático.
Um abraço
Ronaldo
O problema é que nem lembro o nome do cara. Ele só dizia que era PhD.
Fica incompleto o meu comentário, devido à falta de
atenção, por causa de uma discussão mais acalorada que tive
com a figura.
Ainda vou tentar descobrir.
abs,
Luiz
Não acho que o assunto está fora do propósito das listas. No
ano passado mesmo a ATENS-UFV foi chamada em uma reunião na reitoria para
participar de um debate à respeito de cotas na UFV, e neste momento é
sempre bom saber o que nossos associados acham.
Só não consigo entender, por mais que eu tente, a questão da
cota racial. Pra mim o que inviabiliza o acesso das pessoas às
universidades, públicas principalmente, é a questão
econômica, seja sendo branca, negra, índio ou qualquer outra
raça. Se uma pessoa
negra tem todas as condições para estudar, porque ter
benefícios nos processos seletivos? Realmente não consigo
entender.
LĂcia
Concordamos com a Lícia em gênero, número e grau.
Cotas? Somente as Sociais.
Senão eu também quero vagas exclusivas para a minha etnia, a dos
morenos
faceiros.
Cotas para negros é uma forma de racismo também. As vagas devem
ser
Reservadas para os egressos das escolas públicas.
No caso de índios, estes devem ser encarados como um grupo social em
dificuldades e nunca um grupo étnico.
Joel
"Mas deixando esse assunto, que é "meio polêmico", mas
a meu ver muito
claro, devo dizer que me posiciono contra as cotas raciais. Sou a
favor de cotas sociais, num percentual alto (tipo de 75%). Deixe os
25% para quem tem condições de pagar bons colégios e
queiram
frequentar uma boa universidade."
Ainda acredito que a Universidade pode ter de repente cotas para deficientes de
alguma forma, que realmente têm problemas e que precisam de ajuda, mas cotas
raciais? Todos têm acesso à escola (aí sim está o
problema, no ensino fundamental e médio, mas como o
planejamento disso leva uns 20-40 anos e não rende votos, é melhor
tentar corrigir no final da linha de aprendizado, a academia), minha noiva fez
escola pública a vida toda e após muito esforço entrou em uma
Instituição Federal de Ensino, conviveu com pessoas na escola
pública de diversas etnias, qual a diferença? É exatamente
isso que devemos nos preocupar, é insano imaginar que é proibido
reprovar alunos que mal sabem ler e escrever no ensino médio/fundamental...
e agora pelo que vejo, até as academias vão ter que entrar na
onda
(senão estiver equivocado pelo que li), cursos vão ter que aprovar
90% para se adequar ao REUNI... onde vamos parar?
Abraços
Brivaldo Jr
A questão é complexa. Os deficientes, e eu entendo dos auditivos,
têm muita dificuldade em certas proposições do processo de
seleção vestibular. Mesmo tendo estudado em escolas particulares. Nem
elas nem as públicas oferecem ensino adequado ao caso.
Observe uma redação escrita por algum deficiente auditivo, tanto
oralizado, quanto utilizador de linguagem de sinais.
abs,
Luiz
Luiz,
Quando da implantação do sistema de cotas aqui na UFRGS aconteceram
alguns embates no Consun. Um deles é que os índices das cotas de cor
e indígenas eram superiores proporcionalmente ao da população
negra e indígena no estado, portanto, haveria um incremento de
acréscimo desta população em detrimento da chamada
população normal. E o outro foi o que coloquei quanto à
adaptação da Universidade quanto a questão da
adequação das provas para os deficientes auditivos, pois para os
deficientes visuais, sejam de visão sub-normal ou totalmente sem
visão, as provas estavam adaptadas.
O que coloquei é que exigindo de um deficiente auditivo a mesma
lógica de entendimento e, principalmente, de expressão que um
"normal" tem, estaríamos naturalmente excluindo-o do processo pois
dizia que é mais ou menos o mesmo que analisarmos uma redação
onde o vestibulando se expressasse em uma língua estrangeira, tal é a
diferença da lógica de expressão utilizada pelos deficientes
auditivos. Com isto me posicionava contrário ao ingresso pelas cotas e
favorável a uma mudança das universidades, que continuam segregando o
ingresso dos deficientes auditivos, pois não querem sair da mesmice. Com
esta mudança na avaliação, nem a tua filha nem a de
ninguém precisaria recorrer a outros "artifícios" para o
ingresso no nível superior.
Nós vemos nas universidades um número razoável de deficientes
físicos, um pequeno número de visuais, mas os auditivos podemos
contar nos dedos de uma mão. E mesmo ingressando, quem é o professor
que vai ministrar as aulas em Libras? Aqui houve um caso bem interessante de um
rapaz, que era deficiente visual e foi aprovado no curso de Física.
Os professores foram avisados que deveriam se adequar, e colocaram que ele
não passaria da primeira prova prática, que era um experimento
visual, no qual havia um pêndulo e que o aluno deveria fazer a análise
do ocorrido. Se ferrou, diziam os professores. O cara perguntou o que era que havia
na sala, e depois deu a resposta que queriam. A pergunta foi, como é que ele
havia respondido? A resposta era que ele havia analisado todo o experimento pelo
som que o pêndulo fazia. Ou seja, por mais que achamos que a nossa
lógica é a única, sempre tem alguém prá nos
mostrar o contrário.
Parabéns pela filha, pois é quase impossível empatar, mesmo
com sistema de cotas, com os ditos normais.
Saudações
Nelson Rosa
Obrigado, Nelson, tu sabes como funciona, mesmo. Bem mais que eu.
A minha filha teve os méritos dela. Estudou bastante. Nunca se considerou
"garantida" por causa das cotas.
Até porque em Santa Maria, não se pode acertar menos que 20% das
questões, nem tirar menos que 25 ou 30% na redação.
Como a redação foi corrigida de forma adaptada aos deficientes
auditivos, ela tirou 5,2. Pra mim, foi excelente.
Nas objetivas, ela concorreu com os demais.
Mas o mais importante que eu achei na UFSM é que trataram os deficientes com
respeito e especificamente de acordo com o grau de deficiência. Achei que a
UFSM agiu de forma muito correta.
Aí deve ser também.
Mas vamos em frente. A gente sempre encontra pessoas que entendem a
situação. Sem pena, mas com respeito.
abs,
Luiz
Paz e bem!
Pouco me manifesto aqui, mas vamos lá:
- Qual o percentual de negros no Brasil ?
- Qual o percentual de universitários negros em relação ao
total de universitários do Brasil ?
- Que me consta proporcionalmente há menos universitários negros do
que negros no Brasil.
Isto posto, registro que sou favorável às cotas raciais.
Deixo claro que sou branco, minha esposa é branca e meu filho é
branco.
Entendo que cotas raciais devem ser uma política temporária.
Com relação às cotas sociais entendo que deve ser
política permanente.
Mais especificamente sou favorável à cotas raciais inseridas nas
cotas sociais.
Ou seja, que somente negros que tenham as qualificações para cotas
sociais possam concorrer às cotas raciais.
Se sobrarem vagas das cotas raciais, os demais que tenham as
qualificações para cotas sociais usufruem das cotas raciais.
As vagas para cotas sociais devem ser em número maior que a das vagas para
cotas raciais.
Eugenio, OFS
Eugênio,
entendi o seu raciocínio de percentuais.
Acuso alguns problemas que acho que deveriam ser repensados:
- O sistema de costas raciais é ideia dos americanos. Nós sabemos
como funciona lá: negros moram em bairro de negros, trabalham em
serviços de negros, frequentam igrejas de negros... assim como os latinos e
outros grupos menores. Há uma segregação visual e real.
- No Brasil, é um pouco diferente. Se um indivíduo, seja ele de cor
preta ou parda, na nomenclatura utilizada na UFMG, tiver dinheiro, ele frequenta
onde quiser. Além do mais, definir etnia/cor/raça é muito
complicado. Na UFMG, utilizou-se a auto-identificação e
ninguém falou o contrário, entretanto, o Registro Acadêmico,
este ano, percebeu um enorme uso de matrícula via procuração:
me identifico como tal, mas não quero me mostrar... será porque?
- Acredito nas cotas sociais, como paliativo-temporário. Na UFMG, utiliza-se
o seguinte critério: 7 últimos anos de estudo em escolas
públicas, isto é, meninos que estudaram da 5a série ou 3o ano
em escola pública.
- Nosso problema no Brasil é preconceito contra pobre, e sabemos
também que tem preconceito contra cor, mas o que dificulta é
estabelecer critérios claros para essa definição. Criar
comissões que avaliarão a cor do candidato me parece muito esquisito
e meio fascista... Esse era o método hitlerano: judeu tem nariz adunco, pele
morena, verruga no nariz... sabe-se que os askenasis são praticamente
germânicos!
- Defendo como medida paliativa-temporária para que o sistema público
de ensino seja moralizado em 20 anos, tempo suficiente para mudança de uma
geração e ajuste do sistema. Mas, a medida deverá ser mais
estendida, pois o problema também é sócio-familiar, que
dificulta o aprendizado da criança e desestimulo a frequentar as aulas,
sejam elas boas ou ruins.
Não sei expus de maneira razoável, mas é isso que penso.
Apesar disso, aqui na UFMG tem-se feito um trabalho maravilhoso com os alunos
ingressantes por sistemas de cotas. São acompanhados em vários
momentos posteriores ao ingresso e apoiados pela Fundação de apoio
estudantil - a FUMP. Pode ainda não ser o ideal, mas tem-se trabalhado para
aprimorar o sistema.
FILIPE MENEZES
Administrador
Presidente da ATENS-UFMG
Meu chefe é negro e é contra as cotas, e me disse que isso é
coisa de americano e não deu certo por lá!
Aluizio-CPII
Paz e bem!
Felipe:
1 Se a solução fosse simples já teria sido aplicada há
muitíssimo tempo.
2 De fato a principal forma de discriminação no Brasil é a
discriminação social.
2.1 Contudo a ela soma-se a discriminação racial: Um negro pobre, ao
lado de um branco pobre é olhado com mais desconfiança que o branco
pobre.
Um negro classe média baixa ao lado de um branco pobre é olhado com
igual desconfiança
se não o for com maior desconfiança.
3 Como eu disse antes, entendo que cotas sociais devam ser política
permanente de Estado.
Eugenio, OFS
Prezados Colegas,
Vocês já visitaram uma cadeia pública ou um
presídio?
Da população carcerária do Brasil a maioria é
afrodescente. Pela primeira vez na história estamos acompanhando a
prisão de um governador, mesmo assim na carceragem da Policia Federal, que
não se compara a uma cadeia pública ou a um presídio.
Sintetizando, em nosso País quem permanece encarcerado?
O fundamento das cotas raciais está na tentativa de se corrigir
através do acesso à educação essa injustiça
histórica com a população negra. Nós que estamos nas
IFES´s devemos observar em cada colação de grau quantos negros
recebem os certificados de conclusão do ensino superior, posso afirmar que
não chega a 5% do número de estudantes negros. Mas uma mesclagem como
muitos defendem de cotas sociais com raciais também atende, pois com certeza
a maioria da população negra está inserida nas faixas de renda
mais baixa.
Na UFV, por exemplo, segundo dados da Pró-Reitoria de Assuntos
Comunitários, o número de estudantes oriundos da escola
pública e privada se equilibra, ainda assim os alunos negros não
chegam a 5%, numa perspectiva otimista.
Antônio Jésus
Eugênio,
para mim o problema é como definir quem é de cor preta, parda ou
outras....
Essas definições que são problemáticas para mim...
então, eu prefiro acreditar nas cotas sociais, pois são mais
objetivas!
abraço
FILIPE MENEZES
Administrador
Presidente da ATENS-UFMG
No ano passado, na Bahia, dois irmãos gêmeos tentaram entrar nas cotas
raciais, como negros. Um foi aceito, o outro, não. Detalhe: gêmeos
idênticos. Foi publicado na revista Istoé.
[]
Luiz
Atribuir o erro a quem??? Isso é suficiente para reconhecer a desnecessidade
das cotas raciais ou sociais? Tenho para mim que esse não é um
argumento forte.
Antônio Jésus
Não coloquei como argumento contrário, apenas como curiosidade,
visando o aprimoramento do processo. É só ver os meus
comentários anteriores e a minha posição a respeito.
[]
Luiz
Completando: o processo das cotas de deficientes lá a UFSM, citando como
exemplo, existe desde o vestibular extraordinário de maio do ano
passado.
Houve clara evolução no processo deste ano, visto que pouco ou quase
nenhum deficiente obteve classificação no ano passado.
As curiosidades e as críticas só servem para o aprimoramento do
processo.
[]
Luiz
Colegas,
Sou a favor das cotas raciais.
Por vários motivos.
O motivo mais técnico, digamos assim, é pela metodologia de
formulação de políticas públicas, focadas no problema
que se deseja enfrentar e modificar.
É assim com deficientes físicos, idosos, jovens sem primeiro emprego,
etc.
Foi assim com a importação de mão-de-obra africana no
século XVI, foi assim com a importação de mão-de-obra
européia e asiática no século XIX. Houve necessidades e
opções, preferências e não-preferências.
Esta política pública tem o objetivo basicamente de minimizar as
consequências da forma desigual como as raças foram (e são)
tratadas no nosso país (o que não tem nada a ver com as
diferenças econômicas; para reduzir estas, a política
pública deve ser outra).
Como é uma política pública, podemos esperar dificuldades
conceituais presentes em várias delas. Uma delas, já levantada,
é a dificuldade de se definir o que é negro ou afrodescente.
Também não é fácil definir o que é pobre,
miserável, indigente, deficiente, idoso, etc., mas a política
pública faz as definições necessárias e pronto. Mas
acho muito positivo o critério da auto-definição (até
FHC já se definiu mulato!). Que cada um assuma suas ancestralidades sem
medo.
Ainda como política pública, precisamos avaliá-la com
frequência para conhecer seus resultados e sua eficácia. E
modificá-la, se necessário. Já há estudos (UERJ, etc.)
mostrando os bons resultados no desempenho escolar dos afrodescentes e outros
cotistas que não podem ser desprezados.
De qualquer forma, entendo que os argumentos técnicos não sejam os
únicos.
Diversos valores são envolvidos na avaliação, o que não
é condenável. Mas confesso que gostaria de ter ouvidos tantas
resistências a outros sistemas de cotas como às feitas às cotas
raciais (e olha que já estamos até propondo cotas para TNS nos
mestrados e doutorados...). Equívoco achar que a discriminação
é exclusivamente social. Ou será que alguém aqui acredita na
democracia racial brasileira?
Eduardo Ozorio
Economista - UFES