Associação Nacional de Técnicos de Nível Superior
das Instituições Federais de Ensino
No dia 7 de abril de 2010, o Jairo Carneiro Brito, da UFMG, postou email na lista
nacional com proposta de carreira (bem, era antes uma tabela salarial no Excel), sob o
assunto "Pontapé inicial-debate: proposta carreira". Só que
não era o pontapé inicial, já que o tema carreira vem sendo
discutido, embora irregularmente, há algum tempo na lista, possivelmente
desde o seu início. E lutar por carreira própria é
definição do I Fórum da Atens Nacional, realizado na UFMG em
novembro de 2009. Antes disso, já se tinha criado o GT-Carreira, e esta
seção em nossa página recolhia propostas e debates na
área. Ou seja, o jogo já começou há algum tempo.
De qualquer maneira, a iniciativa renovada do Jairo (posteriormente, ele melhorou e
detalhou sua proposta) serviu para um novo cruzamento de ideias em torno do tema,
algumas das quais recolhemos aqui. E é bom consignar que toda essa troca de
ideias ocorreu sem que algum integrante do GT-Carreira (mesmo que incipiente e com
pouca gente) se dignasse dar um simples palpite. Houve também quem
não entendesse nada e reclamasse, com um pragmatismo sem sentido, que toda
essa discussão era sonho, sem perceber que para o segmento dos TNS pretender
qualquer coisa na área tem que saber o que quer, e para tal deve
intercambiar ideias, construir propostas, que suas necessidades não
vão ter respostas como manás que caem dos céus do
Planalto.
Proposta de Jairo Carneiro, em 7 de abril de 2010
Dando tratos à bola: discutindo carreira
Caro colega Jairo,
Parabéns pela iniciativa. Precisamos retomar os debates sobre a
criação da carreira própria, já que é essa a
nossa bandeira. Mas confesso que não concordo com a tabela apresentada.
Creio que o ponto de partida para estruturar nossa tabela seja a
comparação com cargos da mesma natureza, o que está bem acima
disso. Conheci as outras propostas do site da Atens Nacional, e a da UFV me pareceu
mais próxima da realidade de outras carreiras, com algumas
modificações no meu ponto de vista. Acho que devemos começar
os trabalhos no GT Carreira mas dar prioridade nesse primeiro momento a fortalecer
o movimento. Acho que esse deveria ser o primeiro passo da nova
direção, percorrer todas as IFE's e mostrar que nosso movimento
é sério, que precisamos de todos juntos, para que todos possam
participam dessa construção. Mas nada impede que possamos
começar os trabalhos no GT.
Abraço,
Daniel Menezes
Colegas,
Acho que há tempo até para pensar se esta é a melhor
estratégia: propor, de imediato, tabelas salariais. Penso que qualquer
tabela deve resultar de um processo de negociação, o que não
impede que elaboremos alguma proposta de tabela.
Confesso que tenho dúvidas sobre o encaminhamento dessas questões
salariais. Acho que precisamos saber o que queremos, de forma clara e objetiva. O
que queremos pode receber várias definições, mas minha
proposta "neste momento" é a definição do "piso
salarial desejado" - R$ X mil reais!!!. A partir daí, apresentamos esta
proposta a quem de direito e passamos a negociar as estratégias para
conquistarmos o piso salarial desejado: gratificação? nova tabela?
enquadramento à tabela de outra categoria? parcelamentos? quando?
etc.
Eduardo Ozorio
Economista - UFES
Acho que ainda considerando o PCCTAE e a Fasubra, após o término de
implementação do acordo de greve (julho/2010), pode ser estimulado,
via sindicado, mudança de step de 3,6 para 5%.
Essa luta é antiga, e quando iniciada eu particularmente era contra, pois
criaria uma distorção maior ainda em relação aos pisos
salariais.
Neste momento, acredito que deva ser mais bem analisado e até apoiado, pois
representa um ganho substancial para todos os STA's, principalmente os de final
de carreira (que não é meu caso).
Um abraço,
Alexandre G Menezes
NPD/UFSC
Sim, Alexandre, elevar step pode ser uma estratégia para se alcançar
o "piso salarial desejado". Definido este piso, poderemos deduzir o step
necessário para alcançá-lo.
Obviamente, esta é uma saída técnica. Há
questões políticas envolvidas em cada estratégia escolhida que
precisarão ser consideradas.
Eduardo Ozorio
Eduardo,
Concordo contigo. Na realidade, o que precisamos no primeiro momento é que
se pense a criação de uma carreira específica para os TNS das
IFE (não sei exatamente por quem). Isso, caso se consiga, passa pela
criação de um PLANO DE CARGOS E CARREIRA, onde um dos itens deste
plano seria a tabela remuneratória. Além disso, deve constar do plano
as atribuições dos servidores desta CARREIRA, a carreira dos
especialistas, analistas, técnicos de nível superior, seja lá
qual for, deve levar em consideração muitos elementos que uma
carreira possui, os ambientes organizacionais onde estarão inseridos, o
perfil profissional do servidor,além de muitas outras coisas. Isso é
que dará identidade à categoria que será criada. Na realidade,
o que deve ser pensado é uma carreira com identidade própria, que
qualifique e identifique o cargo do servidor das instituições de
ensino e que possa desvincular-se, deixando de ser um segmento para ser uma
categoria profissional da educação, como "Analista de
Educação" ou qualquer outro título de cargo que venha a
ter.
katya
UFRPE
Katya, você praticamente resenhou todo um caminho e discussão que
levaram os TNS no I Fórum da Atens Nacional se definirem por lutar por
carreira própria. Nosso horizonte é este.
É luta por identidade, valorização profissional. Então,
não é só se definir por uma tabela e buscar meios de
implementá-la.
Agora, no caminho deveremos lutar também por saídas emergenciais. Mas
o PCCTAE não é nosso horizonte, vai ser, já é, nosso
ponto de partida.
Elson
Então Elson,
É isso, o que se poderia fazer a priori seria reivindicar uma
gratificação emergencial que com o continuar dos acontecimentos
passaria a fazer parte da tabela do novo plano. O foco seria o plano de cargos e a
meta a curto /ou médio prazos, dependendo do desenrolar da
situação, seria um adicional emergencial até que a
situação fosse regularizada.
katya
UFRPE
Para mim, todos os Tns devem iniciar com o mesmo salário. E este
salário deve ser o mínimo profissional (CLT) da categoria que mais
recebe, que provavelmente é a dos médicos e
cirurgiões-dentistas, que têm proposta em tramitação no
congresso (lei 3.734/2008) de R$ 7 mil o salário mínimo profissional,
para 20h semanais; já o dos engenheiros, arquitetos, agrônomos,
químicos e médicos veterinários é de 6 vezes o
salário mínimo da respectiva região, para seis horas de
trabalho, que dá em torno de R$ 3.000,00, e de 9 vezes o mínimo para
8 horas (R$ 4.500,00). Com um piso mínimo elevado, pode-se diminuir o
impacto final com um step baixo de 3% ou até menos, desde que se mantenham
os percentuais das qualificações e exista a possibilidade de maior
número de avanços através das capacitações.
Na verdade, entendo que a estrutura dos ganhos salariais deve ser diretamente
proporcional ao interesse de desenvolvimento do profissional, numa lógica de
quem deve receber mais é quem demonstra maior interesse na carreira. Como
defesa desta tese junto ao governo e a sociedade, o rendimento pecuniário
deve ser proporcional ao interesse e participação da categoria, por
intermédio da participação individual de cada um de
nós.
Outra possibilidade é a de ter steps variáveis e crescentes ao longo
da vida profissional do servidor público. Na primeira década teria um
valor, na segunda outro, outro na terceira, e finalizando para quem conseguir
aguentar os trinta e cinco, um quarto índice. Isto estimularia a carreira
pública, e diminuiria o valor da aposentadoria para quem tivesse 25 anos de
CLT e migrasse para o SPF, pois aí os percentuais de steps não seriam
estimulantes. Talvez para o governo esta seria uma boa, pois terminaria
economizando na aposentadoria de uma forma geral, e se for bom para o governo
teríamos uma chance.
Ainda assim tem que ser visto a situação de quem recebe
insalubri- dade/periculosidade/risco de vida, fazendo uma regra de equivalência
do tempo trabalhado com tempo de recebimento destas. Como quem recebe estes
índices tem redução no tempo de aposentadoria, seria injusto
alguém receber 25 anos de insalubridade e se aposentar no limite de tempo
exigido pela legislação e não poder chegar ao topo da
carreira. E, com esta ressalva, devemos ter outras que não me ocorrem agora,
portanto vamos levantar as peculiaridades e idiossincrasias de cada
profissão, para que tenhamos subsídios de modo a fazer um
plano/tabela o mais redondo possível.
Depois de termos uma tabela redonda, poderíamos pensar em termos
gratificações, mas isto é para depois de termos garantida uma
tabela e um "plano de carreira", que entendo poder ter uma lógica
diferente da dos demais técnicos do serviço público.
Saudações,
Nelson Rosa
Kátia,
O caminho é o que desenhaste, mas entendo que uma gratificação
emergencial, que é bem-vinda, só tem poder de pressão se
acompanhada de propostas de carreira e tabelas correspondentes. O governo sempre
vai dizer que deve estudar novas propostas e verificar o impacto, blá,
blá, blá, mas a nossa carta na manga deve ser a tua
gratificação emergencial que sumirá quando da
aprovação do que queremos.
Saudações,
Nelson Rosa
Nelson, é isso mesmo, concordo contigo.
O meu medo, é que no afã de se ter um plano, e querer que venha logo
uma remuneração digna, se caia no mesmo erro do PCCTAE, uma tabela
mal elaborada com problemas estruturais, que não contempla a nós como
uma carreira do serviço público federal. Por isso acho que não
podemos nos precipitar. Pois, depois da proposta jogada para
negociação e aprovada, não conseguiremos mais mudar o que
poderá aparecer como erro.
katya
UFRPE
Prezados Colegas,
A grande maioria dos TNS´s é unânime em dizer que o PCCTAE
é uma droga. Dizemos que não atende, mas até hoje, fora a
tabela, ninguém apresentou algo de concreto que não seja a tabela
para convencer que o plano é ruim. Voltamos sempre na mesma coisa, tabela
salarial.
Ninguém reclamou do incentivo à qualificação, pelo
contrário muitos até sumiram das listas depois que foram
contemplados. Sinceramente, gostaria de ser convencido, fora a tabela, onde
estão as mazelas do PCCTAE.
Antônio Jésus
Sua pergunta é corajosa, Antônio Jesus.
Certamente, muitos problemas nascidos com o PCCTAE foram sendo corrigidos, frutos
da pressão dos TNS e até da Fasubra, e o que existe hoje é bem
melhor do que aquilo que nasceu em 2005.
Se vc leu minha intervenção, quando propus iniciar as
negociações a partir de um piso salarial desejado (já
sugeriram o piso dos médicos de R$ 7mil; outro sugeriu aumento do step para
alcançar o piso desejado; etc.), é porque acho que ele, o piso
desejado, pode ser "matematicamente" alcançado dentro do PCCTAE,
sem necessariamente precisar criar uma nova carreira.
A demanda econômica parece ser excessivamente simplista, mas não
minimizo as dificuldades políticas (até porque a nova carreira foi
decidida em Congresso dos TNS) e econômicas do piso desejado. E acho que as
discussões estão se tornando mais concretas, embora cada vez mais
conflitantes com as prioridades atuais do movimento.
Eduardo Ozorio
Economista - UFES
Eduardo Osório,
O que ainda não tenho bem resolvido, é se devemos ou não
manter o PCCTAE, e digo isto porque não sei se é melhor termos uma
política salarial atrelada aos demais técnicos. Será que a
possibilidade de recebermos aumentos diferenciados é melhor? E se quem
recebesse os aumentos melhores fossem os "outros"?
Como estratégia maior poderíamos ter carreiras independentes, pois
neste caso estaríamos perto de podermos ter uma carreira igual ao de todos
NS dos outros Ministérios, facilitando uma possível
unificação. Na verdade, o PCCTAE pode ser referência de
partida, pois, grosso modo, se subíssemos os valores para um patamar
adequado até que não ficaria mal.
Mas as nossas pretensões se resumem a valores, ou à nossa
valorização? Se for valorização, devemos criar
elementos em que possamos ser valorizados através de
capacitações, qualificações, e, por que não?, de
avaliações. Se queremos carreira, quais as etapas e os
critérios para haver crescimento nela? Eu confesso que ainda não
consigo visualizar uma carreira. Como fazer a transposição de um
"Analista de Educação" 1 para o 2 ou 3? Quais as
condições e o tempo que devem ser agregados para a
transposição?
Vamos lá! Critérios, sugestões, participações!
Esta é a hora do achismo sem culpas, e também sem culpados, hora da
construção.
Saudações
Nelson Rosa
Nelson, vc captou bem o que chamei de simplismo do argumento econômico.
É só salário que queremos? Também queremos
valorização, não é? Aí temos que definir o que
é uma carreira valorizada.
Sinceramente, formular um piso desejado é um bom exercício. Imaginar
a carreira desejada, também. Ambos devem remeter ao ideal, ao desejado.
Neste caminho, podemos avançar em questões pontuais.
Eduardo Ozorio
Economista - UFES