Associação Nacional de Técnicos de Nível Superior
das Instituições Federais de Ensino




A proposta é que a cada certo tempo (15 dias?) nesta seção seja publicada uma crônica da Atens Nacional, geralmente sobre alguma temática do momento. Pode ser uma análise ou interpretação de um fato do momento.
Pode ser uma colaboração de qualquer associado, desde que passando pelo crivo da Diretoria, principamente da Diretoria de Comunicação.

Anteriores:
Eu preciso de uma carreira...
Novos tempos
O movimento dos técnicos de nível superior das Ifes
Algumas perguntas
A igualdade desigual
Nossa crônica

Não em nosso nome


A criação da Atens Nacional culmina um processo de luta de afirmação e valorização de um segmento, o dos técnicos de nível superior das Ife, que despertou depois que descobriu (o termo é esse) que fora simplesmente rifado num Plano de Cargos e Salários mal ajambrado. Para tentar consertar a coisa, os TNS tiveram que ir aprendendo o caminho e desde o início enfrentar espertezas, embrulhadas com uma ideologização extemporânea e romântica. Uma idealização do ser de funcionários públicos que trabalham no ambiente das instituições federais de ensino que não permite que os que são agentes e vítimas dessa ideologização deem pé com a realidade. Como consequência, as entidades sindicais com esse viés não conseguem representar adequadamente todos os segmentos.
Essa ideologização romantiza o ser desse trabalhador, enquanto serve de biombo para alavancar os jogos de interesses, e muitos se dão em detrimento do segmento mais escolarizado, o segmento mais profissional. Essa ideologização faz inclusive esquecer as finalidades primeiras de uma entidade sindical, que sim pode e deve engajar-se nas lutas maiores dos movimentos sociais, nas lutas de transformação da sociedade. Mas se não consegue equacionar suficientemente a luta de seus segmentos, representá-los devidamente, como uma entidade sindical poderá realmente cumprir esse papel de luta pela cidadania e as transformações sociais? Se não consegue viver com sua realidade e buscar resolvê-la satisfatoriamente, o resto vira pura retórica, retórica e engodo, e com isso, por não conseguir resolver essas questões de representação, à entidade sindical em questão e seus grupos políticos só lhes resta lutar pelo aparelho, cada vez mais burocratizado, e ter as satisfações políticas postiças decorrentes.
Essa ideologização leva a que o ente sindical, simploriamente, veja entre os segmentos representados a reprodução da luta de classes, e assim os profissionais que inocentemente pensavam que estavam sendo representados se veem satanizados como elite. E aí está justificado o igualitarismo intramuros que pretendem realizar as direções dos grupos políticos. Mas a questão é que a nome desse igualitarismo caolho, uma maioria é contemplada, justamente a que ajuda, com seus votos, na perpetuação dos grupos políticos e seus capas pretas. E como a minoria dos profissionais desde sempre ficava à parte, por omissão, apatia ou mesmo desengano, aí que o processo de sua sub-representação se aprofundou. Os poucos dessa minoria que participavam e participam do processo como que se sacrificavam a nome de nobres motivos da igualdade e das lutas sociais, sendo as maiores vítimas dessa ideologização romântica, que consola consciências e corações, mas que na prática é funcional ao sistema.
Não importam as razões que levaram a minoria TNS a permanecer à parte; se o processo era de representação, seus interesses de profissionais e trabalhadores tinham que ser levados em conta.
A miopia e a má-fé que não permitiram enxergar a realidade e buscar mudar rumos e consertar planos de maneira mais aberta, sem tantas resistências, levaram a que o segmento profissional despertasse e descobrisse que tem um déficit de identidade. Lutando por reverter uma situação salarial esse segmento descobriu que estava sub-representado também. Descobriu que era vampirizado.
A esquizofrenia dessa ideologização romântica e esperta é um prato feito para os que queiram pesquisar e estudar as deturpações de ideais e de conceitos do mundo do trabalho que sindicatos, centrais e partidos, pragmaticamente, têm impulsionados com sua perda de referenciais.
Que essa esquizofrenia não se realize em nosso nome. Não queremos mais ser vítimas desse processo.

Elson Rezende de Mello
Presidente da Atens Nacional

Endereço: Edifício Arthur Bernardes, Sala 018-Subsolo - Av. Peter Henry Rolfs, s/n, Campus Universitário
Cep: 36570.000 - Viçosa - MG - Fone: (31) 3899-2279 E-mail: atensnacional@atensnacional.org.br
Com a Atens Nacional os TNS se afirmam como sujeitos de sua história