Associação Nacional de Técnicos de Nível Superior
das Instituições Federais de Ensino
Nossa crônica
Não em nosso nome
A criação da Atens Nacional culmina um processo de luta de
afirmação e valorização de um segmento, o dos
técnicos de nível superior das Ife, que despertou depois que
descobriu (o termo é esse) que fora simplesmente rifado num Plano de Cargos
e Salários mal ajambrado. Para tentar consertar a coisa, os TNS tiveram que
ir aprendendo o caminho e desde o início enfrentar espertezas,
embrulhadas com uma ideologização extemporânea e
romântica. Uma idealização do ser de funcionários
públicos que trabalham no ambiente das instituições federais
de ensino que não permite que os que são agentes e vítimas
dessa ideologização deem pé com a realidade. Como
consequência, as entidades sindicais com esse viés não
conseguem representar adequadamente todos os segmentos.
Essa ideologização romantiza o ser desse trabalhador, enquanto serve
de biombo para alavancar os jogos de interesses, e muitos se dão em
detrimento do segmento mais escolarizado, o segmento mais profissional. Essa
ideologização faz inclusive esquecer as finalidades primeiras de uma
entidade sindical, que sim pode e deve engajar-se nas lutas maiores dos movimentos
sociais, nas lutas de transformação da sociedade. Mas se não
consegue equacionar suficientemente a luta de seus segmentos, representá-los
devidamente, como uma entidade sindical poderá realmente cumprir esse papel
de luta pela cidadania e as transformações sociais? Se não
consegue viver com sua realidade e buscar resolvê-la satisfatoriamente, o
resto vira pura retórica, retórica e engodo, e com isso, por
não conseguir resolver essas questões de representação,
à entidade sindical em questão e seus grupos políticos
só lhes resta lutar pelo aparelho, cada vez mais burocratizado, e ter as
satisfações políticas postiças decorrentes.
Essa ideologização leva a que o ente sindical, simploriamente, veja
entre os segmentos representados a reprodução da luta de classes, e
assim os profissionais que inocentemente pensavam que estavam sendo representados
se veem satanizados como elite. E aí está justificado o
igualitarismo intramuros que pretendem realizar as direções dos
grupos políticos. Mas a questão é que a nome desse
igualitarismo caolho, uma maioria é contemplada, justamente a que ajuda, com
seus votos, na perpetuação dos grupos políticos e seus capas
pretas. E como a minoria dos profissionais desde sempre ficava à parte, por
omissão, apatia ou mesmo desengano, aí que o processo de sua
sub-representação se aprofundou. Os poucos dessa minoria que
participavam e participam do processo como que se sacrificavam a nome de nobres
motivos da igualdade e das lutas sociais, sendo as maiores vítimas dessa
ideologização romântica, que consola consciências e
corações, mas que na prática é funcional ao
sistema.
Não importam as razões que levaram a minoria TNS a permanecer
à parte; se o processo era de representação, seus interesses
de profissionais e trabalhadores tinham que ser levados em conta.
A miopia e a má-fé que não permitiram enxergar a realidade e
buscar mudar rumos e consertar planos de maneira mais aberta, sem tantas
resistências, levaram a que o segmento profissional despertasse e descobrisse
que tem um déficit de identidade. Lutando por reverter uma
situação salarial esse segmento descobriu que estava sub-representado
também. Descobriu que era vampirizado.
A esquizofrenia dessa ideologização romântica e esperta
é um prato feito para os que queiram pesquisar e estudar as
deturpações de ideais e de conceitos do mundo do trabalho que
sindicatos, centrais e partidos, pragmaticamente, têm impulsionados com sua
perda de referenciais.
Que essa esquizofrenia não se realize em nosso nome. Não queremos
mais ser vítimas desse processo.
Elson Rezende de Mello
Presidente da Atens Nacional
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