Associação Nacional de Técnicos de Nível Superior
das Instituições Federais de Ensino




Este primeiro pronunciamento da Diretoria da Atens Nacional foi divulgado nos primeiros dias de maio de 2009. Nele já se definia inicialmente o que estava colocado para o movimento TNS com sua recém criada associação.
Aos TNS de todo o Brasil:

Valerá a pena seguir o caminho

A criação da Associação Nacional de Técnicos de Nível Superior das Instituições Federais de Ensino - Atens Nacional, realizada em 24 de abril de 2009, em Fortaleza-CE, marca uma trajetória de pronunciamento e luta dos Técnicos de Nível Superior, que desde 2005, como conseqüência de um plano de cargos e salários mal concebido e pior executado, tiveram consciência do desastre perpetrado em seu nome, e desde então foram chamados a participar ativamente para buscar resolver a situação adversa, superando obstáculos, unindo-se em torno de objetivos comuns. A Atens Nacional consolida aspirações do movimento TNS, ajuda a encaminhar suas lutas e reivindicações. Dá suporte e materialidade à construção da identidade profissional do segmento, tão vinda a menos em tempos recentes.
Assim, o desafio imediato de sua primeira diretoria é tornar realidade a entidade, colocá-la no mapa da representação dos interesses dos TNS.
A tarefa se facilitará enormemente com a participação e a colaboração de todos, cientes de que estão dando voz e realidade a uma associação que responde a seus interesses político-profissionais, a seus anseios de afirmação no local de trabalho, a suas necessidades de representação e identidade.
A diretoria que assume essa tarefa inaugural não conseguirá chegar a bom termo se não tiver sintonia absoluta com os TNS espalhados por todo o país. E isso não é só um ato de vontade circunstancial, mas deve significar uma postura consciente, amadurecida e democrática, consubstanciada em um plano de metas e atividades.
Entretanto, a Atens Nacional não responde unicamente à necessidade, que em algum momento foi prioritária, de consertar uma tabela salarial que talvez não tenha conserto. Não se resumirá a pobre e corporativamente representar os TNS em suas reivindicações salariais e assemelhadas. A Atens Nacional é um passo de afirmação político-sindical que dão os TNS, transcendendo interesses corporativos imediatos.

Tarefa de representação. Sua primeira diretoria se lança com entusiasmo e seriedade à tarefa dessa representação, de buscar um reconhecimento dos TNS como sujeitos de seus destinos profissionais e laborais. Como sujeitos do seu fazer.
Vai empreender as tarefas e as ações para a posta em prática do que consta em seu estatuto, traduzidas em um plano de ação que as concretize.
No entanto, consciente dos desafios e das dificuldades espaço-temporais, a diretoria quer chamar a atenção para o panorama que tem diante de si, no marco zero desse empreendimento, que não permite euforia excessiva nem expectativas fora da realidade. Por isso, não se furtará ao trabalho e ao esforço de representar condignamente os interesses tão prementes dos TNS, e isso é o mínimo que se pode esperar dela. Mas sabe que esta é uma obra coletiva, que tem que se espraiar por todas as IFE do país.
Deste modo, algumas tarefas se colocam no imediato e são linhas gerais para sua atuação.
Nesses primeiros dias, a primeira incumbência é dar existência legal e administrativa à entidade, que terá sua sede provisória na Universidade Federal de Viçosa, junto com a Atens local. Em seguida, regularizar as filiações, para poder detalhar um plano de atividades e custeio. Depois, se coloca como prioritário o apoiar e potencializar a criação de coordenações e associações locais em todas as IFE, ao mesmo tempo que empreende atos de divulgação e apresentação da entidade, para já começar as interlocuções necessárias, com os entes da área da educação e governamental, como reitorias, Andifes, Mec, SRH/MP e entidades de representação de seu campo de atuação. Também buscará acompanhar e interferir, de maneira qualificada, em todas as discussões, medidas e encaminhamentos de interesse dos TNS, notadamente o relacionado com o PCCTAE e problemas do segmento.
Desde já encetará tarefas de ação, pensamento e formação para organizar o segmento, dentro das linhas que veio traçando o movimento TNS e também tipificadas no estatuto.
O reconhecimento da Associação Nacional como interlocutora dos TNS em todas as esferas de representação constituirá o desafio constante no período, e será a pedra de toque de suas ações.

Suporte e apoio. A Atens Nacional, por sua parte, deverá contar com o suporte e apoio das coordenações e associações locais para que o segmento tenha suas conquistas e avance pelos caminhos que desde já está traçando. Sem essa interlocução com os entes locais em cada IFE será uma entidade vazia e pouco representativa. A representação se concretiza essencialmente em cada IFE, em que se localizam as realizações, as afirmações e os problemas de cada TNS, porque é aí também que são postas em prática as políticas e a gestão do governo federal. A Atens Nacional deverá ter o cuidado de, em sintonia e junto com as associações locais, gerar as políticas e a cultura de representação e atuação do segmento.
Para tanto, os TNS têm que remontar as culturas política e de participação que marcam o segmento historicamente. Os TNS precisam ter uma visão e uma prática políticas para dentro e para fora. Para dentro: participação, envolvimento e compromisso com o que tem que ver com o seu estar na universidade como local de trabalho. E para fora: engajamento e solidariedade com as lutas e empreendimentos que empolgam a sociedade, e sua comunidade mais imediata, por transformações, por justiça, principalmente num mundo em crise. É saindo do seu casulo que os TNS se fortalecem como profissionais, trabalhadores e cidadãos, e poderão contribuir para um mundo melhor.

Assimetrias de representação. Os TNS desde sempre convivem com assimetrias de representação em que são marginalizados consuetudinariamente, o que culminou num plano de cargos e salários que, apesar de gestado para ambiente de trabalho em instituições de ensino, pretendeu desconsiderar escolaridade como posição de carreira, justamente o que dá identidade profissional ao segmento.
Para fazer frente a essa marginalização, os TNS terão que superar uma visão e prática de profissionais restritos a seus saberes; o que lhes aconteceu nos últimos anos demonstrou que é questão de sobrevivência assumir todos os aspectos do contexto em que atuam, como profissionais e como trabalhadores. Terão de se afirmar politicamente, exercendo uma política que transcende interesses corporativos. Terão que se qualificar na luta política e em sua expressão cultural. Terão que descobrir a política como generosidade, como um dar-se ao outro, como construção de sentido e de transformação do mundo, que começa em seu local de trabalho. Só assim se fortalecerão como grupo, como segmento, e justificarão todas as lutas que encetarão como categoria e classe. Só assim valerá a pena seguir o caminho, porque valeu a pena chegar até aqui.

Apelo da diretoria. A diretoria apela para a compreensão e inteligência dos TNS para terem a real dimensão do passo que estão dando com a constituição da Atens Nacional, na perspectiva dos últimos tempos. Para que todos se juntem nessa construção e nesse caminhar, com a riqueza de suas diferenças. Escaramuças em torno de posições superadas e vencidas pelos acontecimentos e escolhas do movimento, em suas instâncias, serão estéreis e desgastantes, e não levarão muito longe, a não ser caminhar em círculos e fortalecer os que estão na espreita de qualquer pretexto para a desqualificação.
Embates se darão com aqueles que não conseguem enxergar a significação do movimento TNS em sua afirmação e que, a partir de visão estreita e interessada, querem enxergar divisionismo onde só existe o afã da integridade de profissionais e trabalhadores, que têm todo o direito de buscar um melhor rumo e uma melhor representação. Não se está contra nenhum outro segmento, só não se pode aceitar que os TNS sejam foco de ressentimentos e incompreensões, e menos ainda sejam vítimas de ideologizações que não dão conta de sua realidade profissional de trabalhadores públicos especializados.
Os TNS não têm culpa nem podem arrastar as conseqüências e resultados das confusões político-ideológicas, e até mesmo oportunistas, que se vieram realizando, ainda que em seu nome, nas representações sindicais no âmbito das IFE.
Técnicos Administrativos de Nível Superior das Instituições Federais de Ensino, vamos construir nossas coordenações e nossas associações locais, para dar sustentação à Atens Nacional. Esse é o imperativo do momento.

Com a Atens Nacional os TNS se afirmam como sujeitos de sua história

Brasil, maio de 2009.



Diretoria da Atens Nacional

Elson Rezende de Mello (UFV) - Presidente
Carlos Antõnio de Queiroz (UFC) - Vice Presidente
Clóvis Clenio Diesel Senger (UFSM) - Secretário Geral
Pedro Alexandre de Paula (UFOP) - Diretor de Administração e Finanças
José Aguiar do Nascimento (UFRN) - Diretor de Comunicação
Jacqueline Ramos Macedo Antunes de Souza (UFT) - Diretora de PolĂ­ticas Científicas e Culturais
Rosa Cavalcante da Costa (UFRN) - Diretora de Formação Política e Relações Institucionais
Edilson Cosme Tavares (UFRN) - Diretor Jurídico e Relaçães de Trabalho
Maria Norma Sabóia de Carvalho (UFC) - Diretora de Aposentados
Endereço: Edifício Arthur Bernardes, Sala 018-Subsolo - Av. Peter Henry Rolfs, s/n, Campus Universitário
Cep: 36570.000 - Viçosa - MG - Fone: (31) 3899-2279 E-mail: atensnacional@atensnacional.org.br
Com a Atens Nacional os TNS se afirmam como sujeitos de sua história