Email que circulou em listas de discussão em 4 de janeiro de 2007
Um Confasubra conservador
Vejam bem, o congresso foi conservador pelos resultados. Em lugar de preparar a
categoria para a luta, para o que vem pela frente, e, se fosse o caso,
até para apoiar atos do governo, serviu para a
contemporização, para a acomodação, para a
passividade, para os jogos de interesse, para baixar a cabeça diante do
poder, entre nós e o poder mais geral. Serviu para formar a categoria na
falta de solidariedade e na falta de visão política a longo prazo.
Tirando a queda de braço sobre a Cut, desfiliação ou
não, praticamente todas as outras resoluções em que o
rodo, principalmente da Tribo, forçou uma aprovação
contrária aos interesses dos trabalhadores foram lamentavelmente no
sentido da acomodação, de apoiar o status quo. Na cabecinha
vazia das lideranças que puxaram para esses resultados estariam em
jogo os interesses do governo Lula, que para eles seria uma governo dos
trabalhadores. Até nisso falham, até nisso não
apetrecham os trabalhadores para terem uma visão correta dos seus
interesses, mesmo que apoiassem o governo.
Onde já se viu que trabalhadores, com visão excessivamente
pragmática, dentro da lógica patronal, votem contra seus
interesses estratégicos? O pragmatismo tem vez e sentido quando se
está numa negociação, num tete a tete, em que,
taticamente, e segundo as correlações de força, se cede,
se adapta à realidade. Não quando se está elaborando um
plano de lutas, não quando os trabalhadores votam por
princípios.
Como foi o caso do Imposto de Renda e do Salário Mínimo. Neste
último caso há ainda agravantes: votamos contra o
salário mínimo, cuja proposição vem de estudos do
Dieese, que é um organismo mantido pelos sindicatos; nosso pragmatismo
aí significou falta de solidariedade e fraternidade, quando todos os
delegados nesse congresso não recebem salário mínimo. A
votação do salário mínimo tem um sentido
até simbólico. Mas qual, delegações saíram
do congresso, esvaziando algumas importantes discussões, para
participarem de marcha de centrais sindicais, encabeçadas pela Cut,
que reinvidicavam - pragmaticamente - um salário mínimo de 420
reais. Uma pantomima, porque dias depois essas mesmas centrais correram para
acertar um acordo de salário mínimo de 380 reais, o que serviu
para o jogo do governo, principalmente do Lulla.
Os governistas aí devem estar satisfeitos com o congresso, pensando
só nos resultados das votações e da
eleição da DN. Belo consolo, quando isso só significa
enfrentamento e divisão entre nós, e só significa
retrocesso no plano mais geral de nossas lutas e do avanço dos
interesses de transformação da classe trabalhadora.
Para trazer a sardinha para o lado desta lista: onde já se viu que a
temática que anda pegando na categoria nos últimos anos, a
carreira e suas distorções, não fizesse parte da
programação do congresso, e só apareceu em grupos de
discussão pelo esforços de participantes?!
Mas qual! Essa gente traidora que está aí nem pressente o mal
que faz, até a si mesmo, se em alguma momento tiver algum lampejo de
seriedade e consciência. Com isso, a saída que lhes queda
é aproveitar dos aparelhamentos, é o carreirismo, é
locupletar-se com o bem da categoria. E o safari ao Quênia,
África, é só um exemplo.
Tamos de olho!
Elson