Fasubra mostra a cara e as garras
Tão logo as gestões junto a outras representações e
um manifesto em razão do III Fórum, realizado em Goiânia,
assinado eletronicamente como abaixo-assinado, começaram a ter algum
resultado, na forma de uma intermediação da Andifes junto ao
governo apoiando uma gratificação emergencial para os NS, a
Fasubra saiu a campo e mostrou qual era o seu jogo: enviou ofício
à Andifes contra qualquer tipo de gratificação e se
mostrando dona da representação do segmento. Neste momento,
começou a ficar evidente para os NS o papel da Fasubra, em sua pobre e
oportunista representação do segmento, ela que esteve na mesa dos
fóruns nacionais do movimento e o reconhecia como legítimo. Mas na
hora de um passo concreto que ajudasse a resolver parte dos problemas do
segmento NS, a federação deixou cair a máscara que encobria
seu jogo de pura cooptação, e nada mais.
O ofício é uma bela peça retórica, que bem
analisado demonstra o pensamento torto e já contaminado por uma
linguagem neoliberal que vem caracterizando a federação nos
últimos anos. Atenção para observar como no texto vem
à tona o argumento contra a escolaridade, travestido em parte como
impugnação de preconceito.
Segue o ofício:
Senhor Presidente,
A FASUBRA Sindical ao longo de sua história, sempre procurou manter
uma relação institucional com as entidades que possuem
interface direta com a função e ações
encaminhadas por esta entidade nacional representativa da categoria de
trabalhadores técnico-administrativos em educação.
A ANDIFES, na sua relação política com a FASUBRA, sempre
pautou pela observância nos limites de atuação,
reafirmando o seu papel enquanto intermediadora e mediadora, em alguns
momentos, na relação da FASUBRA com o governo, no sentido da.
abertura de canais de negociação (quando temos dificuldades),
para dar prosseguimento ou mesmo início aos processos negociais. A
FASUBRA sempre entendeu e compreende ser este o papel desta entidade
representativa dos gestores das IFES.
Como é de conhecimento de Vossa Senhoria, a prioridade de nossa luta
neste momento, é a campanha salarial aprovada pelas instâncias
da FASUBRA que possui como meta a construção da nossa tabela
histórica, com os parâmetros de piso na classe A de 3
Salários Mínimos, piso na Classe E de 10 Salários
Mínimos e "step" de 5%, e como política
emergencial, a mudança da forma de absorção do
VBC, com alteração do artigo 15 da Lei 11.091.
Diante da divulgação no site da ANDIFES do conteúdo de
reunião dessa Entidade com o Presidente Lula, fomos surpreendidos com
a informação de que a ANDIFES apresentou ao Governo proposta de
concessão de gratificação de 40% para uma parcela da
categoria, hoje enquadrados na Classe E.
Cabe ressaltar que a FASUBRA lutou muito pelo fim de
gratificações nos salários, incorporando em 2001,
após uma Greve, a Gratificação de Atividade Executiva -
GAE, que significa 160% dos nossos salários. Hoje temos o orgulho de
afirmar que no conjunto do funcionalismo público federal somos a
única categoria que não possui nenhum tipo de
gratificação em seu contracheque. Esta luta tem embasamento em
resolução congressual da categoria, o que legitima a nossa
atuação contrária a qualquer proposta de retorno de
gratificações em nossos salários, mesmo em momentos como
este.
A estratégia da FASUBRA é na lógica da
construção de incremento do vencimento básico que
incorpora gratificações porventura existentes.
Outro dado preocupante no conteúdo da proposta apresentada pela
ANDIFES ao Presidente Lula é o papel desempenhado pela entidade,
apresentando propostas, sendo este o papel da FASUBRA, e que vem sendo
encaminhado a partir das resoluções da categoria. Não
podemos ainda concordar com ações que acabam fortalecendo a
divisão da categoria. Representamos 120 mil trabalhadores
técnico-administrativos, com formação escolar diversa.
Constitui nossa categoria, desde trabalhadores semi-alfabetizados a
trabalhadores com pós-graduação. Todos (as),
indiscutivelmente possuem um papel de igual importância com o
cumprimento do princípio indissociável do
ensino/pesquisa/extensão. Não trabalhamos a lógica de
que a formação escolar determina o grau de competência ou
de responsabilidade no fazer dos trabalhadores em educação
técnico-administrativos em particular, e no geral dos trabalhadores da
Universidade Brasileira, incluindo os docentes.
Dessa forma, mesmo compreendendo a preocupação da ANDIFES,
visto a pressão que vem sofrendo no cotidiano institucional, por um
contingente da categoria, não cabe a apresentação de
proposta, que em última análise, tem provocado um sentimento de
indignação da categoria, adicionada a interesses divisionistas,
sobre os quais a FASUBRA não corrobora. Imaginem, daqui para frente os
NA ou NI, fazerem pressões aos Reitores para terem
gratificações, ou mesmo protestarem pelo tratamento
diferenciado dado pelos reitores aos trabalhadores com formação
em nível de graduação. A título de
ilustração, quando falamos Nível Superior, não
podemos esquecer dos milhares que possuem formação superior
(graduação), e encontra-se em disfunção! Em que
nível se encontram.... A FASUBRA continua lutando pela
alteração da CF/88, visando à garantia da
ascensão funcional, para corrigir esta injustiça com uma
parcela significativa de nossa base.
Queremos mais uma vez, registrar a nossa posição de que
precisamos cada vez mais unir a categoria, e buscar, sempre, atender o
interesse do coletivo.
Diante disto encaminhamos ao MEC, em caráter
emergencial, a proposta acima exposta, que representa um ganho de
20% para aqueles (as) trabalhadores que possuem VBC. Esta proposta foi
aprovada pela categoria, e sobre ela nos debruçamos buscando apoio dos
Reitores, da CUT e do Parlamento.
Agregamos a esta proposta a urgência da instalação da
Mesa Setorial, para trabalharmos o Relatório construído no
GT-VBC-Reestruturação da Tabela e no GT-Beneficios (Vale
Alimentação, Assistência a Saúde, Parcelamento de
Adiantamento de Férias, Vale Transporte). A Mesa Setorial representa a
seqüência dos trabalhos iniciados em janeiro/2006, onde esperamos
que possamos construir uma solução negociada para a
evolução da tabela - conforme parâmetros aprovados em
Plenária da categoria (Classe A=3 salários mínimos,
Classe E=10 salários mínimos), que temos a consciência
ocorrerá em etapas, dado a sua magnitude orçamentaria.
Finalmente queremos registrar que reconhecemos a legitimidade de toda a
movimentação que vem sendo feita pelos companheiros que
integram a Classe E, tanto que aprovamos em nossas instâncias os novos
parâmetros para a negociação da Tabela Salarial em seu
momento de evolução, mas não podemos concordar, em
absoluto, com ações paralelas, e em alguns casos com
conteúdos altamente preconceituosos, acerca dos papéis
desenvolvidos pelos trabalhadores em educação, inclusive
reproduzindo um preconceito sofrido por esta categoria na sua
relação histórica com os docentes no ambiente
universitario.
Diante do exposto, queremos reafirmar a nossa expectativa na
relação positiva que temos com a ANDIFES, esperando que
continuemos trabalhando juntos, naquelas ações pontuais, que
requer a mediação e intermediação da ANDIFES,
deixando para a FASUBRA o desenvolvimento do seu papel histórico que
é o de representar os interesses da categoria frente ao governo.
Solicitamos veementemente, o apoio da ANDIFES, intermediando junto ao
Ministro da Educação, na perspectiva de que receba esta
entidade e dê seqüência ao processo de
negociação na Mesa Setorial.
Sem mais para o momento, colocamo-nos ao dispor dessa entidade para quaisquer
esclarecimentos, bem como para avançarmos na construção
de uma Agenda Positiva, que paute o debate acerca de temas que possuem
interface com a Política de Desenvolvimento de Pessoal contida na Lei
11.091.
Atenciosamente,
[seguem assinaturas de diretores da Fasubra que estavam de
plantão, mas que não foram os redatores do
ofício]