Associação Nacional de Técnicos de Nível Superior
das Instituições Federais de Ensino

Manifesto TNS


"Movimentos são um sinal; eles não são meramente o resultado de uma crise. Assinalam uma profunda transformação na lógica e no processo que guiam as sociedades complexas. Como os profetas, eles falam antes: anunciam o que está tomando forma mesmo antes de sua direção e conteúdo tornarem-se claros. Os movimentos contemporâneos são os profetas do presente." (Alberto Melucci)


O movimento TNS surgiu há cerca de três anos, motivado e indignado pelas distorções do Plano de Carreira dos Cargos Técnico-Administrativos em Educação (PCCTAE) que atingiram em cheio a classe E (antigo NS, Nível Superior). Mas tem avançado e transcendido os objetivos de meramente corrigir falhas em tabelas e reivindicar melhorias salariais.
A implantação do Plano explicitou o tratamento que o segmento Técnico de Nível Superior (TNS) vinha e vem recebendo no meio político-sindical em que deveria ser representado, desnudou as discriminações que vinha vivenciando. E colocou na ordem do dia questões de identidade profissional e de formação escolar, que sua representação sindical discute de maneira enviesada e empobrecida, sem sintonia com o que ocorre no mundo do trabalho, com concepções atrasadas que não conseguem, inclusive, enxergar a realidade e o ser do trabalhador atual. Em época de neoliberalismo e globalização econômica, essas concepções desarmam a categoria tornando-a presa fácil de gestões administrativas governamentais, o que se comprova com os piores piso e teto do serviço público federal que ostenta e sofre.
Os TNS não podem aceitar que como profissionais sejam usados como campo de experimentação dos que se iludem com que estariam ousando na disputa da gestão do Estado, "independentemente da formação escolar". Não podem ficar à mercê de uma representação político-sindical que faz moeda de troca do que, em essência, é sua razão de ser. Trata-se de profissionais dos diversos campos do conhecimento, advindos em sua maioria de universidades públicas, que atuam hoje no ambiente organizacional das IFES, na condição de atores em prol da construção da educação brasileira. Desta forma, o que se identifica é uma representação sindical com uma visão torpe, uma vez que desqualifica e pune aqueles que almejam prosperar de forma lícita e digna, e ao agir assim, aponta para princípios e direções em profunda contradição, inclusive, com políticas a favor do incentivo e valorização da educação.
Em razão disso, o movimento TNS representa uma tomada de consciência, com elaborações e ações que buscam afirmar sua identidade e valorizar o segmento. Aponta para as correções necessárias que devem ser elaboradas na carreira ou, se preteridas, para uma carreira própria. Enfim, quer desterrar concepções oportunistas e obscurantistas, que absurdamente desvalorizam a formação escolar e profissional, em benefício do fazer, empobrecendo e fragilizando a inserção dos segmentos técnicos administrativos no mundo do trabalho, na era da sociedade do conhecimento.
Sentimo-nos gratificados em poder atuar com competência e responsabilidade com nossa formação profissional. Isso nos dignifica e nos confere identidade. E por isso qualquer plano de cargo e salários deve refletir o que somos, deve dar as bases para o desenvolvimento de nossas carreiras, compreendendo e respeitando suas especificidades. O que não acontece com o PCCTAE.
Evidentemente, não apoiamos discriminações de qualquer tipo de trabalho, ao qual sempre se deve agregar o valor social em que se realiza. Mas não podemos aceitar uma inversão de valores e que se discrimine a formação escolar que nos caracteriza. Esse valor social agregado se dá também no exercício das atividades, funções e profissões dos TNS. Não podemos aceitar que um plano de cargos e salários venha refletir essa discriminação às avessas.
Temos compromissos com a sociedade, com sua transformação, por querermos um mundo de justiça social e igualdade. Compromissos e atitudes afins que devem ser a conseqüência de participação e luta — para transformar o mundo, a começar pelo local de trabalho. A vontade de transformar a sociedade, contudo, não nos pode fazer vítimas das ideologizações de gestores desse mundo do trabalho, de ficarmos à mercê de representantes sindicais que não nos representam.
Queremos assumir os compromissos que como trabalhadores e profissionais podemos, e devemos, assumir. A começar por nossas carreiras e representação.
Os TNS despertaram para a luta de sua afirmação, que almejam realizar sem mesquinharias, sem as práticas político-sindicais desgastadas que estão na raiz de sua revolta e indignação. Somos 33.000 servidores que almejam uma representação sindical isenta de ranços.
Os TNS se alçaram para resgatarem sua identidade, para afirmarem-na. Ação afirmativa que não vai contra os interesses de qualquer outro segmento da categoria e não deve ser interpretada como divisão.
Somos pela unidade, solidariedade, fraternidade, que devem ser construídas no dia-a-dia dos trabalhadores e não esgrimidas como palavras de ordem nos momentos de crise — como exortação à submissão e à aceitação de políticas, ações e práticas de representações atrasadas e antiquadas, para os seus jogos de interesse e poder.
O Movimento TNS deixa clara a necessidade premente de mudanças, que são vitais para a afirmação da identidade e discussão das questões próprias da categoria no âmbito da Universidade. É questão de vida ou morte, de sobrevivência funcional e principalmente operacional, relacionada às condições de atuação profissional, para os TNS, e também para o desenvolvimento das IFES. Essa ação e luta estão em consonância com os anseios por uma universidade pública, autônoma, de qualidade e socialmente referenciada. Fortalecendo-se como categoria profissional, os TNS podem contribuir, ainda mais, para a consecução dos objetivos da universidade e de seus trabalhadores. Contribuição que já vem sendo demonstrada ao assumirem os TNS responsabilidades como gestores de vários cargos nas IFES, diante da necessidade de conhecimentos técnicos específicos.
É hora de os TNS se assumirem plenamente como profissionais e trabalhadores conscientes do espaço que ocupam.
É hora de os TNS darem um basta às incompreensões que têm cercado sua atuação. De darem um basta aos que querem usar sua representação em desacordo com seus interesses.
Pela criação das associações locais de TNS!
Pela criação da associação nacional dos TNS!
Por uma carreira digna!
Pelo desenvolvimento e fortalecimento da identidade profissional dos TNS!
Estes são os caminhos que se apresentam, para nossa organização e para a luta pela dignificação e desenvolvimento profissional da classe, com maior autenticidade, representatividade e independência.


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Conclamamos todos os TNS a participarem dos fóruns, sejam locais, estaduais, regionais, em que vamos discutir os temas que nos afetam e deliberar pela criação da Associação Nacional dos TNS das IFES e dos rumos que devemos seguir para a conquista de uma carreira digna, do nosso espaço nas IFES e pelo fim de quaisquer atitudes discriminatórias.

Viçosa, 06 de dezembro de 2007.
Participantes do I Forum de TNS da Região Sudeste

Endereço: Edifício Arthur Bernardes, Sala 018-Subsolo - Av. Peter Henry Rolfs, s/n, Campus Universitário
Cep: 36570.000 - Viçosa - MG - Fone: (31) 3899-2279 E-mail: atensnacional@atensnacional.org.br
Com a Atens Nacional os TNS se afirmam como sujeitos de sua história