Associação Nacional de Técnicos de Nível Superior
das Instituições Federais de Ensino
Email que circulou em listas de discussão em 26 de junho de 2007
Nunca pensei
Nunca pensei que para trabalhar em uma universidade tivesse que passar por
situações como a de ter que me defrontrar com pessoas que
questionam a participação e 'história de luta" de
servidores em movimento sindical como pré-requisito para se ter
posições e conceitos a respeito da própria
situação profissional.
Nunca pensei que teria que ouvir que era "omisso" por não
ter ido lutar no sindicato, em vez de ficar trabalhando no que deveria, de
acordo com as atribuições para as quais se é designado.
Será que tem este pré-requisito nas atribuições
do cargo em que fomos empossados? Será que uma
representação não é suficientemente competente
para representar uma categoria? Se todos têm que estar envolvidos com
sindicatos pra que representação?
Sempre pensei que o salário seria uma forma justa de ser remunerado
pela capacidade de trabalho, pela competência no desenvolvimento de
tarefas inerentes ao cargo e pela produção como força de
trabalho, e que isso pudesse contribuir para a realização de
atividades profissionais. E se esta contribuição atendesse as
necessidades e aos propósitos da administração estaria
fazendo jus a um salário proporcional a minha competência,
capacidade e saber.
Hoje, vejo que nada disso tem a menor importância.
Saberes, competências, qualificação, capacidade,
desempenho, produção, dedicação não me
dão direito a ser bem remunerado. Isto tudo não vale nada!
O importante e o que vale é ser filiado ao sindicato, reivindicar
politicamente, se não for desta forma não é digno o que
se recebe, pode ser o melhor profissional, o mais produtivo isso não
é importante porque não houve luta, e não lutando
não merece nada, então os concursos deveriam ser diferentes, os
critérios de aptidão seria - Vai se envolver na luta do
sindicato? Vai concordar com tudo que os profissionais sindicalistas acham
certo e decidem que deve ser feito? Então está apto a entrar na
instituição se não for assim será
desclassificado. E também, tem que torcer para que a força que
esteja administrando e dominando o sindicato, a federação e o
governo sejam esclarecidos e bem intencionados ou então tenham
interesses iguais aos seus; que os atores que estão à frente da
categoria consigam convencer o governo do óbvio; que a categoria que
representam realmente precisa ser bem remunerada para sobreviver, pois
não se alimentam de política, ainda precisam de dinheiro para
se sustentar.
Nunca pensei que teria um Plano que reduz vencimentos, como presente por anos
e anos de serviço prestado.
Nunca pensei que teria que entrar na justiça, para ver meus direitos
garantidos, sempre que fosse prejudicado, o que acontece com muita
freqüência.
Nunca pensei que fosse isso que merece um bom profissional que apenas quer
ver reconhecido o seu trabalho. São estes profissionais que aqui
estão sendo massacrados que podem e tentam fazer o ensino
público gratuito ser de qualidade, como é sempre gritado e
reivindicado nas chamadas para os movimentos.
Nunca pensei que a forma de tratamento de colegas fosse tão
"amigável" como estou vendo agora.
Sempre pensei que as pessoas que se envolvem com disputas sindicais,
estão lá por idealismo e por querer representar uma categoria,
até por ser uma representação onde o próprio nome
já diz, representa o todo, não precisa que o todo esteja na
luta, precisa apenas que se sinta representado e se sentido representado
apóie estes representantes.
Mas a situação me faz ver que não é nada disso.
Não se sentem representados e portanto não apoiam os
representantes. Temos apenas pessoas da mesma categoria se agredindo, sem
respeito uns pelos outros.
A pergunta que faço é: Como representantes e representados
pretendem conseguir alguma coisa se não existe um mínimo de
respeito e bom senso com relação a pensamentos e posturas entre
eles? É realmente uma vergonha ter que assistir a tudo isso e saber
que são meus pares que estão se comportando de uma forma
tão desmotivadora.
Este é o espelho da categoria que faz parte da educação
superior pública no Brasil!
katya
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