Email que circulou em listas de discussão em 4 de julho de 2007
Umas observações emergenciais
Fiz umas anotações para uma análise mais substanciosa, mas
como somos sempre atropelados pelos acontecimentos e ninguém gosta de ler
emails muito longos, coloco aqui algumas observações, que
são, em essência, o mesmo de sempre, batendo na mesma tecla.
Causa espécie ver as elucubrações da dita cuja nas mesas
de negociação. Parece que os NS e os outros segmentos fazem
parte de seu feudo, fazemos parte de seu patrimônio, de que pode dispor
a seu bel prazer. Isso já não é
representação sindical, é reserva de mercado.
Brincaram de fazer plano de cargos e salários. Ficaram anos nisso,
exorbitando de função que não lhes competia. E o pior
é que fizeram uma bela porcaria e chegaram a ser mais realistas que o
rei. O resultado está aí. O próprio governo tem
consciência do trambolho que foi feito, e quando aponta as falhas
(claro que sempre com seu olhar interessado) a dita cuja salta, diz que
não vai discutir princípios, concepção de
carreira (sic) e o escambau, que a discussão tem que ser
técnica. Mas as mesas técnicas nunca deixaram de ser
técnicas. Foi só apontarem as falhas, e a dita cuja disse que
estavam discutindo politicamente. Nada disso. Além do mais, há
alguns paradoxos nisso tudo, quando a dita cuja adora se perder nas
tecnalidades, para justificar sua atuação política.
E se vê no último relatório a infinita pretensão
dos medíocres carreiristas em mais de uma intervenção,
como se representassem não sindicatos, mas um ministério que
estivesse discutindo de igual para igual com o outro lado. Essa visão
distorcida traz conseqüências políticas que estamos
purgando há muito tempo. E assim lemos como se estivessem fazendo uma
grande concessão ao governo na coautoria do trambolho (sem
autocrítica, têm orgulho da coisa!), entre outras coisas
risíveis.
A dita cuja trabalhou nesse trambolho, como trabalhou no PCU e no Projeto
Universidade Cidadã, com um certo igualitarismo torto, achando que vai
mudar as estruturas da sociedade e de nossos locais de trabalho a partir de
instâncias jurídicas e de carreiras. Talvez idéias
socialistas lidas em orelhas de manuais, mal entendidas e pior praticadas
(que se coloque minha ironia no contexto certo, porque sou por muito mais que
socialismo). Igualitarismo torto nas costas do segmento mais escolarizado,
isso praticado no ambiente de trabalho das universidade. Igualitarismo torto
que se prestou que é uma beleza para determinados interesses...
Enchem a boca contra o congelamento, quando praticaram um baita congelamento
sobre o nosso lombo, já que não puderam rebaixar
salários. Falam contra comparar nossos salários com o mercado
de trabalho, quando um segmento, o mais profissionalizado, recebe abaixo
desse mercado. Não queremos que se rebaixe salários dos
segmentos que estão acima do mercado, mas aí estava um
argumento, segundo a lógica do governo, para tentar resolver a
situação desse nosso segmento. Negociar não é
isso? Usar a lógica do outro lado, para levar a que aceite nossas
proposições?
Outra coisa, ao se negar a discutir os princípios e a estrutura da
carreira, a dita cuja só explicita que o PCCTAE é mesmo pura e
simplesmente uma tabela salarial. Agora, cá para nós, onde
estão estes princípios, onde está a identidade que falam
que esse tabelão representa? Ou acham que com seu nominalismo
retórico vão mudar a realidade?
Em resumo, a dita cuja quis e quer sustentar a carreira em cima de uma
construção ideológica. Ideologia aqui em sua pior
acepção que aquele barbudo já tinha indicado: como falsa
consciência.
E o presidente da Cut, de gaiato na história, que está ali
só para fortalecer a posição da central pelega.
Cada vez mais a dita cuja dá razão aos que no movimento NS
começam a ter clareza que a saída é a carreira
própria.
Elson, aquele que ainda não foi.