Associação Nacional de Técnicos de Nível Superior
das Instituições Federais de Ensino
Email que circulou em listas de discussão em 9 de novembro de 2007

Reflexões sobre o movimento dos TNS


A última greve dos servidores das universidade trouxe grandes mudanças para os TNS. Não foram geradas conquistas salariais imediatas para os Técnicos de Nível Superior, como se desejava e, apesar do compromisso do aumento diferenciado, continuamos com os salários mais baixos do serviço público federal e ainda não conseguimos corrigir todos os problemas criados pelo PCCTAE (piso muito baixo, VBC, desincentivo à qualificação, dentre outros).
De qualquer forma, a greve representou um incremento na organização dos TNS, com a criação de mais ATNS e o fortalecimento do discurso em defesa da criação de uma ATNS nacional, que congregue os TNS de todas as instituições federais de ensino brasileiras. Os debates, durante e após a greve, aceleraram-se, embora a rapidez exigida nas decisões e a falta de disposição aos debates de alguns não os politizassem devidamente, simplificando-os quase sempre à distribuição e ao cumprimento de tarefas.
Neste momento, devidos aos acontecimentos, optamos por abrir uma nova lista, a UNA-TNS - União Nacional dos TNS - cujo objetivo é estimular o debate dos diversos temas de interesse dos TNS (para solicitar sua inscrição no link http://br.groups.yahoo.com/group/una-tns/, "entrar neste grupo", pedir inscrição, preencher os dados e confirmar). Não se trata de um acirramento da concorrência com as listas já existentes e nem de um imutável compromisso ideológico de expurgados, mas da necessidade temporária de compreensão do movimento com um relativo e decrescente distanciamento. Queremos buscar saídas com todos os TNS, mas também aprofundar o entendimento dos fatos recentes, o que pode não interessar a todos e provocar descontentamentos. Queremos também participar e estimular a participação de todos os TNS nas listas virtuais que garantam a liberdade de manifestação de seus membros.
Entendemos que o objetivo maior é o da valorização das carreiras de técnico de nível superior; o caminho, o da criação de entidades em que idéias possam ser amplamente discutidas, livremente negociadas e encaminhadas, sempre em defesa dos interesses dos TNS. Deste modo, inspirados pelo ainda incipiente debate da Una-TNS, gostaríamos de comentar alguns assuntos em voga:
1. Manifesto dos TNS - importante documento como instrumento de mobilização dos TNS. Fazemos duas ressalvas à proposta que está circulando: a primeira, o fato de que o movimento dos TNS não começou há três anos (vide a ATNS-UFSM, com 19 anos e a ATNS-UFMS); a segunda, a opção pela demonstração, no manifesto, de um suposto consenso no nosso movimento - questionamos se não valeria a pena abrir o leque já no Manifesto;
2. I Fórum do Sudeste - parabenizamos os colegas de Viçsa pela iniciativa, embora entendamos as dificuldades já relatadas por vários colegas. Perguntamos se não seria interessante investir num Fórum Nacional, dado o caráter nacional das questões que já estão sendo discutidas nas listas;
3. Listas de discussão - vemos com satisfação a criação de listas virtuais de discussão no nosso movimento, o que reflete o maior interesse, maior participação, etc. Salvo engano, há dois tipos de listas no nosso movimento: as que, por opção ou por falta dela, (1) priorizam o debate puro de saberes e (2) as que buscam aplicar os saberes. É da essência dos TNS o amplo debate entre saberes (embora o domínio de saberes e o prazer pelo debate não sejam exclusivos dos TNS). Mas há os que preferem os debates mais pragmáticos, mais dedicados ao fazer, que exigem esforços manuais e que busquem aplicação, concretização, etc.
Duas questões nos preocupam: a primeira, o afastamento voluntário de servidores das listas de discussão, termômetro de insatisfação, talvez decorrente de desinformação ou de frustração de expectativas. O importante é que os objetivos de cada lista possam ser esclarecidos para todos participantes. A segunda preocupação refere-se às dinâmicas dos grupos virtuais, que, em relação a alguns princípios democráticos, aparentam estar mais adequados para o debate (saber) do que para a decisão (fazer). As nossas listas ainda não conseguiram desenvolver sólidos instrumentos democráticos de decisão, principalmente aquelas dedicadas ao fazer e que precisam tomar decisões com mais freqüência. Refutamos o consenso presumido e sugerimos a criação de mecanismos formais de voto.
4. ATNS nacional e locais - o debate de siglas parece ser o menos importante aqui. Percebemos que a discussão está aberta em vários pontos:
a) Criação de ATNS ou não - parece que os debates levam, sim, à criação de ATNS. No entanto, é preciso evitar a idéia de que basta criar ATNSs para que nossos problemas sejam automaticamente resolvidos.
b) Regionais, antes; nacional, depois? - pensamos que a microeletrônica pode aprimorar os instrumentos diretos de participação, garantindo maior representatividade das decisões, incorporando um número significativamente maior de servidores nas decisões do que o modelo vigente de democracia representativa.
c) Atuação das ATNS - sindical ou associativista? Substituiremos a Fasubra e sindicatos ou não? Importante, ao aprofundar esta discussão, considerar o momento em que estamos decidindo e as especificidades profissionais dos TNS nesta discussão.
É esta nossa contribuição neste momento.

Eduardo Ozório Nunes dos Santos - Economista - UFES
Francisco Daniel Monteiro - Analista de Sistemas - UNIRIO
Endereço: Edifício Arthur Bernardes, Sala 018-Subsolo - Av. Peter Henry Rolfs, s/n, Campus Universitário
Cep: 36570.000 - Viçosa - MG - Fone: (31) 3899-2279 E-mail: atensnacional@atensnacional.org.br
Com a Atens Nacional os TNS se afirmam como sujeitos de sua história